domingo, 10 de setembro de 2017

O professor Guilherme Vitti publicou o "Manual da História Piracicabana", editado e distribuído pelo "Jornal de Piracicaba" aos seus leitores, como contribuição cultural às comemorações do 2º. centenário de Piracicaba, em 1967, relançado em 2009 pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. Leia conteúdo das páginas 77 e 78 referente à Revolução Constitucionalista de 1932.

   O mês de maio, que se iniciara um tanto friorento, no setor atmosférico, dava sinais de aquecimento violento no setor político. Jovens morreram em São Paulo, por amor à liberdade.
   Foi o sinal. Os paulistas puseram a mão na consciência e tomaram uma resolução. Estava na hora de se por termo a uma situação sufocante que não permitia a livre escolha de seus mandatários.
   Julho, atmosfera de geadas, mas corações e inteligências em ebulição de vulcão.
   E esse estourou no dia 9, com o início da revolta armada, sob a cheia do governador do Estado, Pedro de Toledo.
   "Às armas, paulistas, pró-Constituinte", foi o grito de guerra.
   O brado se espalhou célere sobre São Paulo, alargou-se em círculos divergentes, inflamando todo o Estado.
   E em círculos convergentes, de todos os rincões bandeirantes, marcharam para a fronteira os bravos voluntários que tinha mais armas no espírito, no entusiamos da causa, do que balas e metralhas.
   Piracicaba, que não tem sangue de medroso, Piracicaba, que sente o fogo da lealdade dos bandeirantes, Piracicaba que sabe onde põe o pé, porque tem cabeça, Piracicaba, que coloca acima de tudo, o bem-estar de todos, não podia falhar.
   E não falhou.
   Um comício monstro realizado no lardo da Matriz, conclamando os cidadãos, à luta, pôs fogo no peito da mocidade.
   Moveram-se os intelectuais, moveram-se os jovens estudantes, moveram-se o operários, moveram-se as mulheres corajosas, moveram-se as crianças inocentes, moveram-se enfim, os brios da população.
   O primeira batalhão partiu para linha de frente. Dele participaram todas as camadas sociais. A folhinha marcara dia 16,. Seguiram juntamente com os anjos de consolo, as doze enfermeiras-professoras.
   O que foi a epopéia dos meses de luta só pode ser narrada à viva voz pelos participantes da campanha que ainda vivem entre nós.
   Das vítimas que tombaram a cidade guarda, ciosas, seus nomes no coração de  no monumento levantado na praça principal da cidade.
   Se os frutos da refrega não foram materialmente favoráveis, os resultados morais surgiram em breve tempo. O escopo principal foram atingido - Liberdade de votar e ser votado. Não importam interpretações segundas dos fatos e personagens que participaram da façanha. Importa sim saber que os piracicabanos agiram às claras, de peito aberto, na primeira linha da trincheira.
  O ano findou-se sob uma atmosfera de imprecisão e desânimo.

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