quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A cidade na Revolução de 1932


Foto Acervo/IHGP
Rua Governador Pedro de Toledo,. esquina com a Moraes Barros, em 1932


A administração de Piracicaba no ano de 1932, segundo relato publicado no jornal Gazeta de Piracicaba.

O jornalista Edson Rontani Júnior, presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba, conta que toda a cidade se comoveu com a revolução. “Se houve um líder foi o então prefeito Luíz Dias Gonzaga. Por meio de decretos envolvia o povo piracicabano solicitando a entrega de armamentos (em especial espingardas Wichester). Houve também o envolvimento do professor Alberto Vollet Sachs que assinou a ata das primeiras reuniões de convocação dos ‘voluntários de Piracicaba’ no Teatro Santo Estevão”, disse.

Rontani Júnior explica que os intelectuais da época usavam a imprensa para convocar os voluntários e envolver as pessoas. Figuras como Francisco Lagreca, Aldrovando Fleury, Carlos Aldrovandi, Mário Neme e o professor Manoel Mattos também foram líderes do movimento no município. Mas foi mesmo Luiz Dias Gonzaga, como prefeito, quem deu todo suporte para o envolvimento dos piracicabanos”.

Ele conta que a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) foi um grande ponto de alistamento em Piracicaba. “Os três meses da revolução – de 9 de julho de 1932 a 3 de outubro de 1932 – fez com que Piracicaba parasse. O prefeito Gonzaga tinha em mãos a força política. Apesar de o Estado ter um interventor e não governador, a palavra do prefeito era lei. Tanto que ele governou com diversos decretos – algo inconstitucional hoje – tomando atitudes como a que determinou que as padarias produzissem o “pão de guerra” com menos trigo e farinha, que eram distribuídos gratuitamente”.

Rontani Júnior está preparando um livro que deverá ser lançado no segundo semestre de 2017, com apoio do instituto Histórico e Geográfico (IHGP). A obra Cartas a Piracicaba, traz cartas enviadas pelos voluntários piracicabanos do front. Relatos do que eles viram do conflito.

“Lá notaremos que os voluntários que para cá vieram visitar familiares ou a negócios, eram recebidos com honra pela administração pública. Na verdade, coube a Gonzaga criar a ordem no meio do caos. A realidade era outra, mas existem propagandas em jornais nos quais o prefeito pede que empresas funerárias façam enterros (de pessoas comuns, não voluntários) de graça, se possível. Para que famílias abastadas abram espaços em residências para foragidos, como os cariocas que eram adeptos à causa constitucionalista e por aqui vieram viver”, revelou.

Naquela época, o prefeito ocupava espaços como o Teatro Santo Estevam, a Escola Morais Barros (por isso uma das ruas que a ladeiam é chamada de Rua Voluntários de Piracicaba). “Cabia ao prefeito formar guardas para os presídios e apoiar o uso do Tiro de Guerra para evitar ações inimigas ou de vândalos, nos quais havia grande circulação de pessoa. Um dos casos eram os cinemas. Uma instituição privada, considerada a segunda diversão depois do teatro era guardada pela força pública e pelos atiradores do TG”.

Como a imprensa estava censurada após o término da revolução, na qual os paulistas foram derrotados, Rontani Júnior afirma que é difícil dados históricos da cidade. Ele apurou que houve perseguição, deportação e mortes após o armistício assinado por São Paulo. Participaram do conflito entre 400 e 900 voluntários de Piracicaba, conforme Rontani Júnior.

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