sábado, 28 de janeiro de 2017

O comércio de Piracicaba e os conflitos


Uma multidão saiu às ruas para se despedir do 1º Batalhão Patriótico que partiu, em trem da Paulista, para a luta contra o governo Getúlio Vargas, na Revolução de 1932. Durante os meses que durou o conflito, a cidade se mobilizou realizando campanhas como “Tostão do Soldado” – em que as mulheres recolhiam auxílio aos soldados constitucionalistas.

Piracicaba também aderiu à Cruzada do Ouro, para possibilitar que o governo mantivesse as operações financeiras. Atendendo apelo da Cruz Vermelha, os comerciantes doaram algodão, lenços, meias e suprimentos que foram enviados para o campo de batalha. Comissão de “moças syrias” conseguiu capas impermeáveis para os soldados.

No item consumo, algumas medidas atingiram os comerciantes, principalmente os proprietários de padarias que se viram obrigados a fabricar o “Pão de Guerra”, adicionando 10% de fubá à farinha de trigo tipo única e 15% à farinha tipo antigo. Preço máximo comercializado era de 900 réis o quilo do tipo “panhoca” e de 1.300 réis o quilo para o tipo “filão”.

Em setembro de 1932, o prefeito Luiz Dias Gonzaga baixou decretos autorizando a fabricação e venda de apenas um tipo de pão, o “pão typo único”, redondo, fabricado com farinha de trigo, fubá e mandioca em três tamanhos: 200, 400 e 1.000 gramas, vendido ao preço de $900 o quilo. A fabricação do pão à tarde era permitida apenas às segundas-feiras.

Outra medida proibia a fabricação de macarrão e de qualquer tipo de pão doce e pastelaria em geral, quando manipulados com a farinha de trigo, “ficando os infratctores sujeitos ás penalidades estabelecidas pelos decretos estaduaes que criaram commissão Pão de Guerra”. (Gazeta de Piracicaba, setembro de 1932). A venda da farinha de trigo era autorizada apenas para os depositários do produto com prévia autorização da Prefeitura. A determinação publicada pela administração proibia aumento nos preços dos produtos alimentícios e obrigava os comerciantes de colchões, travesseiros e cama a seguirem tabela de preço máximo.

(Ângela Furlan no livro "ACIPI - 80 ANOS")

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