segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Placa no Cemitério da Saudade é restaurada





O Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), restaurou a placa denominativa instalada no jazigo do Soldado Constitucionalista de 1932 instalado no Cemitério da Saudade. 

Isso ocorre devido ao desgaste da placa instalada em 2003, sendo que os voluntários ali enterrados tinham a denominação em placa adesivada que tornaram-se ilegíveis devido às intempéries climáticas assim como a constante exposição aos raios solares. A nova placa tem a gravação a laser, mais resistente e com maior durabilidade.

Segundo o presidente do MMDC e membro do IHGP, jornalista Edson Rontani Júnior, a troca estava sendo estudada há um bom tempo e, colocada neste Dia de Finados de 2016, serve como homenagem aos piracicabanos que tomaram em 1932 em prol de uma nova Constituição para o Brasil, a qual foi promulgada em 1934. 

No Mausoléu estão depositados os restos de voluntários que morreram nos confrontos da época: Ennes Silveira Mello, Natal Meira Barros, Sylvio Cervellini, José Homero Roxo e Romário Mello Nery. Francisco Honório de Souza faleceu em 1932, mas foi sepultado em Silveiras. Como era piracicabano, a família fez a transposição de seus restos mortais ao Mausoléu em 2003.


Placa no Cemitério da Saudade é restaurada





O Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), restaurou a placa denominativa instalada no jazigo do Soldado Constitucionalista de 1932 instalado no Cemitério da Saudade. 

Isso ocorre devido ao desgaste da placa instalada em 2003, sendo que os voluntários ali enterrados tinham a denominação em placa adesivada que tornaram-se ilegíveis devido às intempéries climáticas assim como a constante exposição aos raios solares. A nova placa tem a gravação a laser, mais resistente e com maior durabilidade.

Segundo o presidente do MMDC e membro do IHGP, jornalista Edson Rontani Júnior, a troca estava sendo estudada há um bom tempo e, colocada neste Dia de Finados de 2016, serve como homenagem aos piracicabanos que tomaram em 1932 em prol de uma nova Constituição para o Brasil, a qual foi promulgada em 1934. 

No Mausoléu estão depositados os restos de voluntários que morreram nos confrontos da época: Ennes Silveira Mello, Natal Meira Barros, Sylvio Cervellini, José Homero Roxo e Romário Mello Nery. Francisco Honório de Souza faleceu em 1932, mas foi sepultado em Silveiras. Como era piracicabano, a família fez a transposição de seus restos mortais ao Mausoléu em 2003.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Inauguração da Igreja Bom Jesus é afetada pela Revolução de 1932



As festas de inauguração do monumento do Senhor Bom Jesus (hoje, Igreja Bom Jesus do Monte, bairro Alto) foram marcadas para o período de 30 de julho a 15 de agosto de 1932. No entanto, em virtude do movimento constitucionalista, iniciado no dia 9 de julho, as festas programadas para o mês de agosto foram adiadas para os dias 5 a 15 de novembro. Isso adiou a inauguração da tradicional igreja de Piracicaba.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Os esquecidos de 3 de outubro



* Edson Rontani Júnior e André Manoel da Silva, presidente e vice-presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba

   Heróis anônimos também são relembrados por sua dedicação à Revolução Constitucionalista de 1932. O embate iniciado em 9 de julho e encerrado em 3 de outubro daquele ano, deixou um estado comovido, combalido e perpetuador dos ideais democráticos. São heróis que compuseram os quase 100 mil voluntários que empunharam armas, cerziram fardamento, prepararam alimentações... enfim, prestaram um serviço inestimável à São Paulo que clamava por uma Constituição mais atualizada, descentralizando o poder das mãos do presidente Getúlio Vargas.
   Dentre os heróis anônimos que causam polêmica está Orlando de Oliveira Alvarenga. Anônimo por conta da história que não o incluiu na sigla MMDC, simbolizando a sociedade secreta que delinearia a Revolução Paulista de 1932 e que depois se transformou em a Sociedade de Veteranos em prol dos que lutaram por São Paulo.
   Cabe lembrar que, à época, a capital paulista vivia momentos de tensão, com manifestações, greves e passeatas.  Na manhã de 23 de maio de 1932, uma reviravolta com partidários varguistas hostiliza os manifestantes. O Centro de São Paulo se transforma em verdadeiro caos. Na praça da República, precisamente na rua Barão de Itapetininga, insatisfeitos tentam invadir a sede do Partido Popular Paulista, um dos braços da Liga Revolucionária, que apoiava a figura de Vargas. Entocados, estes passam a disparar incessantemente, matando os quatro jovens M. M. D. C.: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antonio Camargo de Andrade.
   Nesta ação, várias pessoas são feridas, incluindo Orlando de Oliveira Alvarenga, que resiste por semanas, vindo a falecer em agosto seguinte. Alvarenga passou a ser imortalizado após seu falecimento já ao final do levante popular. Por décadas seguintes, historiadores e políticos tentaram legar à eternidade sua participação em 32. Atuante como escrevente, nasceu em Muzambinho, Minas Gerais, em 18 de dezembro de 1899, filho de Ozorio Alvarenga e Maria Oliveira Alvarenga. Muito sofreu sua esposa Annita que acabou criando sozinha o filho Oscar.
   Alvarenga, que morreu poucas semanas antes do armistício assinado em 3 de outubro, não teve seu nome associado ao movimento. O MMDC (que para alguns é MMDCA) representava uma organização civil clandestina, que, entre outras atividades, oferecia treinamento militar. Foi responsável pela campanha de alistamento voluntário, iniciado em 10 de julho, em diversas cidades do estado.

   Alvarenga também é perpetuado com uma rua na capital paulista no bairro Butantã. Em janeiro de 2004, foi promulgada a Lei Estadual 11.658, denominando o dia 23 de maio como "Dia dos Heróis MMDCA". O governo estadual criou o "Colar Cruz de Alvarenga e dos Heróis Anônimos". Assim como ele, milhares de paulistas foram à luta armada e tiveram seu nome legado à eternidade.

(Publicado no Jornal de Piracicaba em 01/10/2016)

sábado, 1 de outubro de 2016

3 de outubro na história

* Edson Rontani Júnior e André Manoel da Silva, presidente e vice-presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba

   O 3 de outubro para a história de São Paulo tem um fator marcante. Embora esquecida, a data é lembrada como o fim da Revolução Constitucionalista de 1932, quando paulistas se revoltaram contra os mandos e desmandos do presidente Getúlio Vargas e queriam não a separação do estado diante da nação mas a elaboração de uma Constituição mais democrática, criando os poderes constituídos, delineando os papéis do executivo, legislativo e judiciários e deixando claro qual era o papel do presidente da República.
   Foram quase três meses – 9 de julho a 3 de outubro de 1932 – em que São Paulo parou e teve cortado todos seus incentivos, isolando-se do resto do país. Houve levantes em outras áreas do país, como Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná. Alguns calados com o fio da navalha, execuções sumárias considerando seus indiciados traidores da pátria. Em poucos dias, mais de 100 mil paulistas resolvem unir-se à liderança constitucionalista seja para pegar em armas como para ajudar em todas as frentes imagináveis, desde a estocagem de alimentos, na confecção de fardamento, transporte e entrega de mensagens. Todos eram voluntários indistintamente. Não importava se a pessoa era homem ou mulher, doutor ou analfabeto, criança ou adulto.. Cada um tinha sua função e sua obrigação.
   Piracicaba teve envolvimento profundo tendo seu quartel-general montado no Grupo Moraes Barros onde se reuniam os “Voluntários de Piracicaba”, daí o nome de uma das ruas que circunda o colégio. Os números mentem com relação à exatidão de filhos que a cidade enviou para os campos de batalha pois até hoje não existe um estudo aprofundado sobre quem foram estes voluntários. Isso ocorre devido à falta de documentação ou por muitos piracicabanos terem se alistado fora da cidade, com maior concentração na capital paulista. A falta de documentação ocorre porque São Paulo não saiu vitorioso da Revolução. Em seguida, o governo federal começou um processo de perseguição deportando políticos para o exterior e controlando a imprensa. Fechou o poder legislativo trancando as portas das Câmaras de Vereadores. Jornais da cidade logo na semana seguinte ao armistício de 1932 sequer tocam no assunto Revolução Constitucionalista.
   A cidade perdeu filhos mortos de forma traiçoeira. Jovens que perderam suas vidas numa desvairada intenção de “fazer o certo”. O 3 de outubro de 1932 tornou-se uma data qualquer no calendário. Mais ainda este ano em que o dia servirá para conferir os resultados das eleições municipais que para glorificar aqueles que deram vidas em prol da liberdade.



(Artigo publicado dia 01 de outubro de 2016 na Tribuna Piracicabana e na Gazeta de Piracicaba)