sábado, 1 de outubro de 2016

3 de outubro na história

* Edson Rontani Júnior e André Manoel da Silva, presidente e vice-presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba

   O 3 de outubro para a história de São Paulo tem um fator marcante. Embora esquecida, a data é lembrada como o fim da Revolução Constitucionalista de 1932, quando paulistas se revoltaram contra os mandos e desmandos do presidente Getúlio Vargas e queriam não a separação do estado diante da nação mas a elaboração de uma Constituição mais democrática, criando os poderes constituídos, delineando os papéis do executivo, legislativo e judiciários e deixando claro qual era o papel do presidente da República.
   Foram quase três meses – 9 de julho a 3 de outubro de 1932 – em que São Paulo parou e teve cortado todos seus incentivos, isolando-se do resto do país. Houve levantes em outras áreas do país, como Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná. Alguns calados com o fio da navalha, execuções sumárias considerando seus indiciados traidores da pátria. Em poucos dias, mais de 100 mil paulistas resolvem unir-se à liderança constitucionalista seja para pegar em armas como para ajudar em todas as frentes imagináveis, desde a estocagem de alimentos, na confecção de fardamento, transporte e entrega de mensagens. Todos eram voluntários indistintamente. Não importava se a pessoa era homem ou mulher, doutor ou analfabeto, criança ou adulto.. Cada um tinha sua função e sua obrigação.
   Piracicaba teve envolvimento profundo tendo seu quartel-general montado no Grupo Moraes Barros onde se reuniam os “Voluntários de Piracicaba”, daí o nome de uma das ruas que circunda o colégio. Os números mentem com relação à exatidão de filhos que a cidade enviou para os campos de batalha pois até hoje não existe um estudo aprofundado sobre quem foram estes voluntários. Isso ocorre devido à falta de documentação ou por muitos piracicabanos terem se alistado fora da cidade, com maior concentração na capital paulista. A falta de documentação ocorre porque São Paulo não saiu vitorioso da Revolução. Em seguida, o governo federal começou um processo de perseguição deportando políticos para o exterior e controlando a imprensa. Fechou o poder legislativo trancando as portas das Câmaras de Vereadores. Jornais da cidade logo na semana seguinte ao armistício de 1932 sequer tocam no assunto Revolução Constitucionalista.
   A cidade perdeu filhos mortos de forma traiçoeira. Jovens que perderam suas vidas numa desvairada intenção de “fazer o certo”. O 3 de outubro de 1932 tornou-se uma data qualquer no calendário. Mais ainda este ano em que o dia servirá para conferir os resultados das eleições municipais que para glorificar aqueles que deram vidas em prol da liberdade.



(Artigo publicado dia 01 de outubro de 2016 na Tribuna Piracicabana e na Gazeta de Piracicaba)

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