sábado, 16 de julho de 2016

Governador Pedro de Toledo


* Edson Rontani Júnior e André Manoel da Silva – presidente e vice-presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba

   Passados 84 anos após o 9 de julho de 1932, estopim da Revolução Constitucionalista, nos vem a mente a figura emblemática do jovem soldado paulista envergando um uniforme caqui e um capacete de aço. Em Piracicaba, nos lembramos do Monumento ao Soldado Constitucionalista na Praça José Bonifácio e da rua Voluntários de Piracicaba, referências aos cerca de mil piracicabanos que partiram em direção aos fronts de batalha.
   Indiretamente, a nós moradores de Piracicaba, um nome faz parte do nosso cotidiano, e muitos desconhecem sua importância. Trata-se de Pedro Manuel de Toledo, mais conhecido como “Governador Pedro de Toledo”. Nascido na capital no ano de 1860, advogado de formação, ocupou diversos cargos de relevância nos cenários estadual e federal.
   Era uma figura respeitada. Homem público, cuja a política era encarada como um meio de colaborar com o desenvolvimento do seu país. Não importava a vertente política que estivesse no poder, todos respeitavam e veneravam.
   Já com mais de 70 anos de idade, numa tentativa de acalmar os ânimos paulistas, Pedro de Toledo, foi nomeado Interventor Federal no Estado de São Paulo. Getúlio Vargas atendia assim um dos anseios de seus opositores que não aceitavam a frente do Governo de São Paulo os chamados “forasteiros”, estranhos ao cenário político bandeirante.  
   A manobra mostra-se desastrosa, pois, com a presença de Pedro de Toledo no governo do Estado, surgiu campo fértil para o amadurecimento da Revolução Constitucionalista. O novo interventor acabou por decidir pela Revolução na noite de 9 de julho, antecipando-a em cinco dias, uma vez que ela deveria coincidir com a data da Revolução Francesa.
   Pedro de Toledo, político como poucos que existiram no nosso país, até no momento do grito de Revolução, o fez com honradez. Em telegrama enviado ao Catete, agradecia a indicação ao cargo de interventor.
   Foi aclamado “Governador de São Paulo”, cargo que nunca concorreu, mas que em poucos dias no seu exercício, o fez como ninguém. Passados quase três meses de conflito, Pedro de Toledo recebe uma comitiva federal, a qual decreta a sua prisão, e nos seus últimos passos dentro do Palácio dos Campos Elísios, antiga sede do governo paulista, disse que embora derrotado, traído e vencido nas armas, os ideais que levaram os paulistas a luta se perpetuariam.
   Assim, como todo o Estado Maior Revolucionário, Pedro de Toledo foi preso e exilado na Europa. Em 1934, retorna ao Brasil, e presencia a promulgação da Nova Constituição, pela qual tanto lutou. Falece um ano depois na cidade do Rio de Janeiro com 75 anos de idade. Seus restos mortais, hoje repousam no Mausoléu do Soldado Constitucionalista em São Paulo.
   É um personagem reverenciado pelo Governo do Estado e pela Sociedade MMDC de Veteranos de 1932, com uma medalha que leva o seu nome. Empresta ainda seu nome a mais de uma dezena de ruas e avenidas por todo o estado. Em Piracicaba não foi diferente. A antiga Rua do Commércio, que na era Vargas já havia recebido o nome do político paraibano João Pessoa, recebe o de Pedro de Toledo, “Governador” por aclamação e respeito do povo paulista e piracicabano.

(Publicado no Jornal de Piracicaba no dia 9 de julho de 2016, página 2)

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