sábado, 28 de março de 2015

"Estadão" queria ressuscitar a Revolução de 1932



   O jornal "O Estado de São Paulo" pretendia reeditar a Revolução de 1932. Pelo menos é o que dizia a polícia da ditadura do Estado Novo através de seu chefe Filinto Muller. Paratanto, em 25 de março de 1940, a polícia invadiu a sede do jornal na rua Boa Vista, centro de São Paulo e lá encontrou armas colocadas no forro de um dos cômodos.

   Lira Neto, jornalista autor do livro "Getúlio" (Companhia das Letras), escreveu artigo sobre esta situação no jornal "O Estado de São Paulo" Caderno Especial de 140 anos publicado no dia 18 de janeiro de 2015. Segundo ele, "a batida policial tinha como pretexto investigar supostas denúncias de que a diretoria do periódico, mancomunada com 'um grupo de perigosos comunistas', estaria organizando uma conspiração para depor o então ditador Getúlio Vargas".

   O autor lembra que a intenção era reeditar a Revolução Constitucionalista, em versão revista e ampliada, segundo acusação da polícia de Vargas.

   O artigo ainda diz que "de acordo com os relatórios oficiais, a busca no imóvel resultou na apreensão de um arsenal de armas e munição pesada, incluindo metralhadoras, que teriam sido encontradas escondidas sobre o forro do prédio. Foi determinado o fechamento imediato da gráfica e da redação, enquanto Francisco Mesquita e outros diretores eram levados presos".

   O jornal ficou dez dias sem circular. Voltou sob intervenção federal tendo Abner Mourão, advogado e jornalista, como diretor efetivo. As armas foram implantadas na redação pela própria polícia. O jornal voltou às mãos da família Mesquita em dezembro de 1945, quando Vargas foi derrubado pelos militares.

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