domingo, 20 de julho de 2014

Entrega do Diploma MMDC

As comemorações do 9 de julho, em 2014, proporcionaram homenagens às personalidades que desenvolveram trabalhos em prol da preservação da memória da Epopéia Paulista. No dia 7 de julho, recebeu o Diploma MMDC, em consonância com a Medalha MMDC entregue anteriormente, a Major Adriana Sgrigneiro, comandante do 10 BPM-1. A entrega ocorreu durante solenidade em homenagem ao E. C. XV de Novembro. Abaixo, o presidente do XV, Celso Christofoletti, Major Adriana, e Edson Rontani Jr., do Núcleo Voluntários de Piracicaba.


Já no dia dia 10 de julho, o Diploma MMDC foi entregue ao Jornal de Piracicaba em decorrência de sua cobertura durante a Revolução de 1932 e pelo constante apoio na causa constitucionalista. Na foto abaixo, Edson Rontani Júnior entrega o diploma à jornalista Ude Valentine, editora-chefe do matutino.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Comemorações do 9 de julho


Em solenidade na praça José Bonifácio, organizada ao lado do Monumento em Memória aos Revolucionários de 1932, a defesa constitucionalista feita pelo Estado de São Paulo, iniciada em 9 de Julho daquele ano, foi enaltecida como “momento crucial em prol da Democracia no País” pelo presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba, João Manoel dos Santos (PTB). Nem mesmo o tempo nublado evitou que pelo menos 200 pessoas acompanharam os discursos das autoridades, as homenagens ao ex-combatente Romeu Gomes de Oliveira (único sobrevivente na cidade) e o desfile cívico.
João Manoel fez um paralelo entre a Revolução de 1932 com a derrota no Brasil contra a Alemanha, por 7 x 1, na terça-feira (8). “Assim como ontem, São Paulo perdeu a batalha, mas dois anos seguintes, em 1934, o País voltou a ter uma Carta Magna, fundamental para manter as instituições democráticas”, disse o presidente do Legislativo. Também ressaltou a importância do batalhão de negros que participou das fileiras de combate. “Pouco se fala a respeito destes bravos guerreiros que morreram, às vezes sem serem lembrados. Os negros não foram só escravos no Brasil, mas também foram excelentes soldados”, enfatizou.
O prefeito Gabriel Ferrato (PSDB) também ressaltou a importância da Revolução de 1932 na manutenção da Democracia no Brasil. “Assim como hoje, nos anos 1930, a preocupação do Estado de São Paulo sempre foi com a capacidade do País em fugir do autoritarismo e criar uma sociedade com poder descentralizado”, destacou. Ferrato apelou, ainda, para uma reformulação nas receitas de impostos. “Temos um sistema em que exige diversos serviços da Municipalidade, mas onde a maior parte dos recursos está no governo federal, precisamos rever esta situação”, disse o prefeito Gabriel Ferrato.
Já a comandante da PM, major Adriana Sgrigneiro, aproveitou para detalhar alguns números sobre o trabalho da Polícia Militar no Estado, “que, desde 1831, ainda como Força Pública, atua para manter a segurança da sociedade”. Ela detalhou que, somente no primeiro semestre de 2014, foram registradas sete mil ocorrências, apreensão de 132 armas de fogo e interceptação de 1.800 quilo de drogas. “Tudo isso mostra o quanto a PM é ativa na cidade e está ao lado da população”, disse a major. Ao finalizar, ela homenageou o soldado PM Arnaldo Francisco de Brito, falecido no último dia 27, depois de ter sido baleado em um restaurante. “Que os familiares e amigos sintam-se abraçados por esta comandante”, declarou a major Sgrigneiro.
A solenidade também entregou homenagens a familiares de ex-combatentes já falecidos, depositou flores no Monumento dos Revolucionários, houve ainda salva de 21 tiros e Toque do Silêncio, em memória aos caídos em combate. Na via ao lado da praça José Bonifácio, foi realizado desfile com a participação do Tiro de Guerra, de grupos de escoteiros e do Décimo Batalhão da Polícia Militar (10o BPM). O evento foi organizado pela Câmara de Vereadores de Piracicaba, em parceria com a Polícia Militar e Comissão de Eventos Cívicos de Piracicaba.















segunda-feira, 14 de julho de 2014

MMDC: heróis brasileiros



* por Edson Rontani Júnior, presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba

A definição de herói pode proporcionar uma longa discussão. Herói seria Ayrton Senna que morreu numa disputa automobilística? Herói seria o seringueiro Chico Mendes, morto por interesses financeiros? A história vai longe...
“Herói nacional” é status definido por indicações e leis federais. E eles estão inseridos no “Livro de Aço”, ou “Livro dos Heróis da Pátria”, o qual se encontra no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves.
Situado em Brasília, na Praça dos Três Poderes, o Panteão tem arquitetura assinada por Oscar Niemayer. Foi construído pela Fundação Bradesco e doado ao governo federal. Sua inauguração veio devido à forte comoção sentida pela nação após a morte de Tancredo Neves, em 1985, o primeiro presidente civil depois de 21 anos de ditadura militar.
Entre estes heróis encontram-se Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, popularmente denominados de MMDC, heróis paulistas (e agora, nacionais) da Revolução Constitucionalista de 1932. O feriado de 9 de julho deve-se à memória dele e de todos que voluntariamente se uniram pelo mesmo ideal.
Os quatro eram estudantes universitários e foram mortos por forças de apoio ao governo Getúlio Vargas, na Praça da República, em São Paulo. A partir destas mortes, os paulistas resolvem ir à luta contra o governo federal, em três meses de confrontos, que causou a morte de aproximadamente 1.500 pessoas. Há quem conteste esta cifra, alegando que foi muito maior.
Os estudantes MMDC foram incluídos no “Livro de Aço” em 20 de junho de 2011. Sem muito alarde. O Panteão foi criado na intenção de homenagear os que se destacaram em prol da pátria brasileira. Não é um mausoléu, uma vez que nenhum dos “heróis nacionais” tem ali depositado seus restos mortais. Estes heróis estão em outro local ou com paradeiro desconhecido.
Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo dividem o status de heróis com Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Marechal Deodoro da Fonseca, Dom Pedro I, Duque de Caxias, Coronel Plácido de Castro, Marquês de Tamandaré, Almirante Barroso, Santos Dumont e José Bonifácio. São estes os escolhidos para representar a história do Brasil nestes 514 anos de vida nesta terra tropical. Que suas memórias permaneçam vivas !

(Artigo publicado na Gazeta de Piracicaba de 09/07/2014)

sábado, 12 de julho de 2014

O ideal de 32 valeu a pena



* por Edson Rontani Júnior, presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba

A história se confunde ao relatar que o Estado de São Paulo foi o perdedor na Revolução Constitucionalista de 1932. Enganamos também ao pensar que paulistas queriam se tornar independente do resto do país. São tropeços históricos que acabam denotando com a realidade.
De 9 de julho a 4 de outubro daquele ano, paulistas se armaram contra os desmandos do presidente Getúlio Vargas. Exigiam, sim, uma nova Constituição. A que estava em vigor datava de 1891.
A Epopeia Paulista conseguiu cerca de 100 mil voluntários, treinados por 10 mil homens da Força Pública (atual Polícia Militar). Enfrentaram o relento da madrugada nas dividas com outros estados, a falta de suprimentos e racionamento na alimentação. Centenas foram multilados e mortos. Acredita-se que foram quase 1.600 voluntários e civis mortos pelas tropas federais. Muitos deles piracicabanos.
O movimento tornou-se fraco, no fim de setembro de 1932, quando a Força Pública se rendeu. Em 2 de outubro, tendo como porta-voz o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, a liderança do movimento assina o armistício. Acaba a Revolução Constitucionalista. A vitória não veio no combate, mas sim através dele.
A Constituição dos Estados Unidos do Brasil acaba sendo promulgada por Getúlio Vargas em 1934, completando este ano seus 80°. aniversário.  Ela veio em decorrência da Revolução de 32.
Sua instauração ocorreu em maio de 1933, sendo promulgada em 16 de julho de 1934.
Especialistas dizem que por ela baseou-se a reforma nas questões políticas, social e trabalhista brasileiras pós Império e Nova República, delineando as diretrizes contemporâneas. De sua elaboração participaram 214 parlamentares mais 40 representantes de sindicatos. Tinha 187 artigos.
Os benefícios apresentados foram muitos. Criou-se a igualdade social, acabando com os vícios oriundos da política do “café com leite”, em que paulistas e mineiros alternavam-se no governo federal. Veio desta Constituição a dissociação dos poderes executivo, legislativo e judiciário, criando normas para as eleições de cargos públicos como deputados.
Ela trouxe maioria dos direitos trabalhistas ainda hoje em vigor. A legislação que protege o trabalhador foi pela primeira desenhada vez neste país. E, com isto, a criação dos sindicatos também foi por ela garantida.
Foi por esta Constituição que tivemos garantidos o direito do Brasil oferecer gratuidade no ensino primário, inclusive aos adultos. Instituiu o habeas-corpus para a liberdade pessoal e o mandado de segurança para direito de defesa. Você já ouviu falar da prisão perpétua, tão comum nos Estados Unidos? Ela também garantiu sua proibição no Brasil.
Com ela veio a regulamentação de todas as profissões reconhecidas. Criou-se a denominação do que seria o salário mínimo e a proibição de trabalho para menores de 14 anos. Criou-se a jornada de 8 horas por dia, repouso semanal e férias pagas.
A Constituição de 1934, porém, teve vida curta, sendo substituída em 1937 por uma nova carta magna. Mas de todas as consequências, o ideal de 1932 valeu a pena, não tão somente para os paulistas, mas como para toda uma nação.

(matéria publicada no Jornal de Piracicaba de 9 de julho de 1932)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Repercussão da entrega de medalha ao E. C. XV de Novembro

Confira a repercussão da entrega entrega da Medalha Constitucionalista ao Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, ocorrida no dia 7 de julho de 2014.

G1 - Globo


Futebol do Interior 1

Futebol do Interior 2

TV Opinião

E. C. XV de Novembro de Piracicaba


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Medalha Constitucionalista ao E. C. XV de Novembro de Piracicaba

O presidente do XV de Piracicaba, Celso Christofoletti, e o presidente do Núcleo Voluntários de Piracicaba, Edson Rontani Júnior

   Após meses de estiagem, uma leve garoa caiu sobre Piracicaba, minutos antes de ser iniciada a solenidade de entrega da Medalha Constitucionalista ao Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, que completou, em novembro de 2013, o seu centenário de criação. A garoa em nada atrapalhou a solenidade realizada na sala de imprensa do Estádio Municipal Barão da Serra Negra, sede do alvinegro piracicabano. O evento foi coordenado pelo Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba na segunda-feira, dia 7 de julho de 2014, em homenagem à dedicação do time durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Estiveram na retaguarda da organização Edson Rontani Júnior, o tenente PM André Manuel da Silva e o jornalista Fernando Galvão.

   A solenidade foi coordenada pelo presidente do Núcleo, jornalista Edson Rontani Júnior, que, já em novembro de 2013, imbuído pelas comemorações do centenário do time, tomou a iniciativa de homenagear o XV, em parceria com sua assessoria de comunicação. Rontani lembra que, durante a Revolução, o XV, assim como outros times interromperam as partidas futebolísticas motivadas pelo voluntariado dos jogadores que partiram para São Paulo ou para as divisas do estado para defender o estado de São Paulo. Além disso, o XV também engajou-se na campanha OURO PARA SÃO PAULO com partidas visando arrecadação de recursos e também com a doação de todos os troféus conquistados nos 19 anos (em 1932) de atuação da equipe. O XV, convém lembrar, foi Campeão do Interior (o que seria a Segunda Divisão hoje) no ano de 1931. Com o embargo do governo federal, o estado não tinha com produzir materiais cuja matéria-prima fosse feita de ferro, aço, ágata, alumínio e outros. Assim, os troféus, louros, medalhas e outros foram doados para que fossem feitas canecas para saciar a sede dos voluntários, capacetes de proteção, cantil e até material bélico como cartuchos.

 
   A solenidade tem a mesa diretiva composta por Edson Rontani Júnior (Núcleo Voluntários de Piracicaba), Celso Christofoletti (presidente do E. C. XV de Novembro de Piracicaba), Jorge Luis Pires (sub-tenente da Cavalaria do Exército Brasileiro, instrutor-chefe do TG 02-028) e Humberto Gouvea Figueiredo (Coronel da Polícia Militar, comandante do Comando de Policiamento do Interior 9).

   Estiveram presentes convidados, dentre os quais a imprensa representa por Roberto Alves (TV Opinião), Felipe Poletti (Tribuna Piracicabana), Gérson Mendes (Rádio Difusora) e Marcelo Sá (Rádio Onda Livre AM), além de Maria da Glória Silveira Mello (bisneta do combatente Nelson Prudente de Moraes Meirelles), Geraldo Júnior (representando o vereador Pedro Kawai), José Carlos Esquierro (do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba), atirador Diniz (do TG 02-028), Ivete D'Abronzo Neto (filha do comendador Humberto D'Abronzo - ex-presidente do XV - e sobrinha de Natal Meira Barros, voluntário de Piracicaba morto em confronto aos 17 anos, na Revolução de 1932), capitão PM Gumiero (representando a tenente coronel Gesela, comandante do 48°. BPM-I) e major PM Adriana Sgrigneiro (comandante do 10°. BPM-I). Foi lida manifestação de ausência transmitida pelo vereador Coronel Telhada, da Câmara Municipal de São Paulo.

   A abertura foi realizada relembrando o trabalho do Núcleo MMDC em Piracicaba, com ênfase à dedicação de Manoel Sampaio Mattos de 1969 a 2001 e sua reimplantação em 22 de outubro de 2011 pelo tenente PM Egydio João Tisiani. Edson Rontani Júnior lembrou que o ideal foi concretizado com a Constituição de 1934 que completa seus 80 anos no dia 17 de julho. Vieram desta Constituição benefícios ainda hoje em vigor como a dissociação dos poderes executivo, legislativo e judiciário, a maioria dos benefícios trabalhistas como a criação do salário-mínimo, jornada de 8 horas, descanso semanal e férias remuneradas, entre outros.

   Rontani lembrou dos dois campos de batalha no qual jogadores atuaram : um o campo de futebol onde, mesmo com a rivalidade entre os times, sempre imperou a paz. O outro o campo de batalha no qual jogadores de todos os estados atuaram contra o avanço das tropas federais. Ele aproveitou para fazer uma analogia dos termos implantados pelos narradores esportivos, utilizando frases criadas por Ary Barroso, criador da música "Aquarela do Brasil", como o artilheiro que é o jogador que mais gol faz, mas na luta é o soldado da artilharia, aquele que empunha uma arma, ou quando o jogador "é desarmado", termo utilizado no futebol para destacar quem perdeu a bola, mas na guerra significa perder a arma, entre outros termos ainda hoje utilizados.

   Em seguida foi entregue a Medalha Constitucionalista com a execução da marcha Paris-Belfort, ícone da Revolução. Foi realizado o trajeto marcial da bandeira nacional a cargo do tenente PM André Manuel. Em seguida, o presidente do XV, Celso Christofoletti recebeu o conjunto da Medalha Constitucionalista e seu diploma atestando estar registrado no Setor de Honrarias da Casa Civil do Estado de São Paulo. Celso ocupou a palavra seguida por representantes do Exército e da Polícia Militar.

   Ao final, houve um café oferecido pela diretoria do alvinegro piracicabano.

Coronel Figueiredo, Capitão Gumiero, Tenente André, Edson Rontani Jr. e Sub-Tenente Jorge Luiz


terça-feira, 8 de julho de 2014

Jornal O Momento


O jornal "O Momento" foi um importante veículo de comunicação durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Possui pouca referência a qual deveria situá-lo no contexto da história de Piracicaba. O Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba possui os exemplares originais, todos encadernados. A Biblioteca Municipal de Piracicaba os possui de forma digitalizada, guardadas em disquete de 1.4 megabytes. 

Era de propriedade de Fernando Aloisi e tinha com diretor de redação o dr. Moacyr Amaral Santos. Circulou nos anos de 1930. Sua redação situava-se à rua São José, 63, ao lado da praça José Bonifácio, Centro de Piracicaba. Era o principal elo de ligação entre os voluntários e suas famílias. Piracicaba enviou cerca de 1.000 voluntários, conhecidos como "Voluntários de Piracicaba". Na época, apenas o rádio existia como veículo de comunicação, não sendo um veículo de massa como conhecemos, pois eram feitos de válvulas, o que encarecia seu valor. Além dele, apenas o telégrafo existia. Ambos muito caros. O cinema falado começava a engatinhar e, embora o cinema nacional já possuísse seus astros e autores, ainda não havia sido descoberta ou feita uma ação empreendedora nos documentários. O teatro era outra área de comunicação, mais destinada ao entretenimento, o qual movimentava e atraía as grandes multidões. A televisão por aqui só apareceu em 1945. Internet ...e outros veículos ... Muitas décadas depois. Jornais eram os meios mais rápidos de comunicação. A notícia demorava dias para chegar. 

Assim, O Momento, antes mesmo de estampar impressas as notícias tinha um serviço espetacular de informação via alto-falantes. A redação situava-se na rua São José em frente ao estacionamento do Banco Bradesco, pouco ao lado de onde encontra-se o Poupatempo Estadual. Ali, uma sirene era acionada por volta das 13 horas conclamando os piracicabanos a se dirigirem à praça José Bonifácio e ouvir pelos alto-falantes as novidades dos fronts de batalha, que normalmente chegavam da capital paulista. Da capital, as informações proviam com ênfase aos frontes do norte do país, ou seja, das dívisas de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Algumas destas manifestações ocorreram como esta de Jacob Diehl Neto, de 30 de agosto de 1932.


domingo, 6 de julho de 2014

Medalha Constitucionalista ao E. C. XV de Novembro de Piracicaba


O ano era o de 1932, o Brasil era presidido pela forte ditadura de Getúlio Vargas e o estado de São Paulo não concordava com tamanha tirania e começava a se rebelar. A deflagração da revolução aconteceu mês de julho e Piracicaba entrou na batalha por um mundo melhor.

O clima era de tensão, as atividades esportivas ficaram suspensas por 90 dias e os atletas dos clubes de futebol da cidade, incluindo o XV de Piracicaba, disponibilizavam seus atletas para o combate.

Na época o presidente alvinegro era Esmeraldo Muller e em uma reunião, no dia 17 de setembro, a diretoria decidiu doar suas taças, medalhas e troféus ao MMDC, para a campanha “Ouro para São Paulo”. No mesmo dia, conforme consta nos arquivos do jornalista Rocha Neto, a diretoria recebia do zagueiro quinzista, Petrônio Beluca, uma carta avisando que estava na frente de batalha e mandando lembranças a torcida piracicabana. Outros atletas como Geraldo Toledo, Chico de Godói, Antonio Leme, entre outros, estiveram nos campos de batalha.

Na cidade, o clube cedia seu campo para jogos beneficentes em prol da revolução, como a partida do dia 18 de setembro em favor da Cruz Vermelha, no jogo entre 28 de Setembro e Macahé (0 x 0) e a partida realizada no dia 25 do mesmo mês entre um combinado da Vila Rezende sobre o resto da Cidade, com vitória para os rezendinos por 2 a 1.

Passados 82 anos, a Sociedade de Veteranos MMDC do estado de São Paulo permanece viva e cultivando a memória dos heróis paulistas. Através da iniciativa do núcleo de voluntários de Piracicaba, o XV de Piracicaba vai receber a Medalha e Diploma Constitucionalista.
 
O evento ocorre neste dia 07 de julho, às 15h, na sala de imprensa do alvinegro. “Na época, com o embargo do governo federal ao estado de São Paulo, bens como ferro e aço eram coletados da população para serem transformados em material de auxílio aos combatentes que se movimentaram conta o governo Getúlio Vargas. Assim, as medalhas e troféus, junto a outros itens doados pela população, foram transformados em canecas para saciar a sede dos combatentes, ou em capacete de proteção e até mesmo para a confecção de armamentos e munições”, explica o presidente do núcleo MMDC de Piracicaba, Edson Rontani Júnior.

O presidente do XV, Celso Christofoletti, estará presente na solenidade e se sentiu feliz com a honraria. “Piracicaba teve um papel importante na Revolução e o XV centenário fez parte desta história, doando seus homens e seus troféus. Será uma grande prazer receber essa homenagem”, finalizou.

Resumo:
Coletiva de Imprensa
Assunto: Entrega de Medalha e Diploma ao XV pelo MMDC do Estado de São Paulo
Data: 07 de julho, às 15h
Local: Sala de Imprensa do XV de Piracicaba