quarta-feira, 9 de julho de 2014

Medalha Constitucionalista ao E. C. XV de Novembro de Piracicaba

O presidente do XV de Piracicaba, Celso Christofoletti, e o presidente do Núcleo Voluntários de Piracicaba, Edson Rontani Júnior

   Após meses de estiagem, uma leve garoa caiu sobre Piracicaba, minutos antes de ser iniciada a solenidade de entrega da Medalha Constitucionalista ao Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, que completou, em novembro de 2013, o seu centenário de criação. A garoa em nada atrapalhou a solenidade realizada na sala de imprensa do Estádio Municipal Barão da Serra Negra, sede do alvinegro piracicabano. O evento foi coordenado pelo Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba na segunda-feira, dia 7 de julho de 2014, em homenagem à dedicação do time durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Estiveram na retaguarda da organização Edson Rontani Júnior, o tenente PM André Manuel da Silva e o jornalista Fernando Galvão.

   A solenidade foi coordenada pelo presidente do Núcleo, jornalista Edson Rontani Júnior, que, já em novembro de 2013, imbuído pelas comemorações do centenário do time, tomou a iniciativa de homenagear o XV, em parceria com sua assessoria de comunicação. Rontani lembra que, durante a Revolução, o XV, assim como outros times interromperam as partidas futebolísticas motivadas pelo voluntariado dos jogadores que partiram para São Paulo ou para as divisas do estado para defender o estado de São Paulo. Além disso, o XV também engajou-se na campanha OURO PARA SÃO PAULO com partidas visando arrecadação de recursos e também com a doação de todos os troféus conquistados nos 19 anos (em 1932) de atuação da equipe. O XV, convém lembrar, foi Campeão do Interior (o que seria a Segunda Divisão hoje) no ano de 1931. Com o embargo do governo federal, o estado não tinha com produzir materiais cuja matéria-prima fosse feita de ferro, aço, ágata, alumínio e outros. Assim, os troféus, louros, medalhas e outros foram doados para que fossem feitas canecas para saciar a sede dos voluntários, capacetes de proteção, cantil e até material bélico como cartuchos.

 
   A solenidade tem a mesa diretiva composta por Edson Rontani Júnior (Núcleo Voluntários de Piracicaba), Celso Christofoletti (presidente do E. C. XV de Novembro de Piracicaba), Jorge Luis Pires (sub-tenente da Cavalaria do Exército Brasileiro, instrutor-chefe do TG 02-028) e Humberto Gouvea Figueiredo (Coronel da Polícia Militar, comandante do Comando de Policiamento do Interior 9).

   Estiveram presentes convidados, dentre os quais a imprensa representa por Roberto Alves (TV Opinião), Felipe Poletti (Tribuna Piracicabana), Gérson Mendes (Rádio Difusora) e Marcelo Sá (Rádio Onda Livre AM), além de Maria da Glória Silveira Mello (bisneta do combatente Nelson Prudente de Moraes Meirelles), Geraldo Júnior (representando o vereador Pedro Kawai), José Carlos Esquierro (do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba), atirador Diniz (do TG 02-028), Ivete D'Abronzo Neto (filha do comendador Humberto D'Abronzo - ex-presidente do XV - e sobrinha de Natal Meira Barros, voluntário de Piracicaba morto em confronto aos 17 anos, na Revolução de 1932), capitão PM Gumiero (representando a tenente coronel Gesela, comandante do 48°. BPM-I) e major PM Adriana Sgrigneiro (comandante do 10°. BPM-I). Foi lida manifestação de ausência transmitida pelo vereador Coronel Telhada, da Câmara Municipal de São Paulo.

   A abertura foi realizada relembrando o trabalho do Núcleo MMDC em Piracicaba, com ênfase à dedicação de Manoel Sampaio Mattos de 1969 a 2001 e sua reimplantação em 22 de outubro de 2011 pelo tenente PM Egydio João Tisiani. Edson Rontani Júnior lembrou que o ideal foi concretizado com a Constituição de 1934 que completa seus 80 anos no dia 17 de julho. Vieram desta Constituição benefícios ainda hoje em vigor como a dissociação dos poderes executivo, legislativo e judiciário, a maioria dos benefícios trabalhistas como a criação do salário-mínimo, jornada de 8 horas, descanso semanal e férias remuneradas, entre outros.

   Rontani lembrou dos dois campos de batalha no qual jogadores atuaram : um o campo de futebol onde, mesmo com a rivalidade entre os times, sempre imperou a paz. O outro o campo de batalha no qual jogadores de todos os estados atuaram contra o avanço das tropas federais. Ele aproveitou para fazer uma analogia dos termos implantados pelos narradores esportivos, utilizando frases criadas por Ary Barroso, criador da música "Aquarela do Brasil", como o artilheiro que é o jogador que mais gol faz, mas na luta é o soldado da artilharia, aquele que empunha uma arma, ou quando o jogador "é desarmado", termo utilizado no futebol para destacar quem perdeu a bola, mas na guerra significa perder a arma, entre outros termos ainda hoje utilizados.

   Em seguida foi entregue a Medalha Constitucionalista com a execução da marcha Paris-Belfort, ícone da Revolução. Foi realizado o trajeto marcial da bandeira nacional a cargo do tenente PM André Manuel. Em seguida, o presidente do XV, Celso Christofoletti recebeu o conjunto da Medalha Constitucionalista e seu diploma atestando estar registrado no Setor de Honrarias da Casa Civil do Estado de São Paulo. Celso ocupou a palavra seguida por representantes do Exército e da Polícia Militar.

   Ao final, houve um café oferecido pela diretoria do alvinegro piracicabano.

Coronel Figueiredo, Capitão Gumiero, Tenente André, Edson Rontani Jr. e Sub-Tenente Jorge Luiz


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