quarta-feira, 12 de março de 2014

Armando de Sales Oliveira



Armando de Sales Oliveira, em dezembro de 1929

* Edson Rontani Júnior, jornalista e presidente do Núcleo MMDC Voluntários de Piracicaba

   Referência em todo o estado de São Paulo, o ex-governador paulista Armando de Sales Oliveira é hoje sinônimo de grafia incorreta. Algo que se prolifera entre paulistas que mal conhecem sua vida, sua importância histórica e sua dedicação ao estado de São Paulo.
   Em Piracicaba, uma das principais avenidas leva seu nome, iniciando-se na cabeceira da Ponte Irmãos Rebouças, popularmente conhecida como a Ponte do Mirante, passando por toda a região central da cidade e findando nas proximidades do bairro Alto, ao lado do Teatro Municipal dr. Losso Netto. Em boa parte de sua extensão, a avenida é ladeada por dois outros importantes políticos: Benjamin Constant (1833-1891, militar e estadista, criador da expressão “Ordem e Progresso” estampada na bandeira do Brasil) e Pedro de Toledo (1860-1935, diplomata e político, interventor do estado de São Paulo nomeado pelo governo federal).
   Não apenas em Piracicaba, como nas demais cidades que denominaram logradouros com seu nome, é comum ver variações de seu nome, ora Armando Salles de Oliveira ora Armando de Sales Oliveira ou Armando Salles Oliveira. O correto é Armando de Sales Oliveira.
   Armando foi o 14º. governador do estado de São Paulo, ocupando a cadeira de 11 de abril de 1935 a 29 de dezembro de 1936. Sucedeu Júlio Prestes e precedeu Henrique Smith Bayma. Foi o interventor no estado de São Paulo designado pelo governo Getúlio Vargas de 21 de agosto de 1933 a 11 de abril de 1935 e governador eleito pela Assembleia Constituinte de na data citada nas primeiras linhas deste parágrafo.
   Sales Oliveira foi engenheiro civil formado pela Escola Politécnica, depois transformada em Universidade Estadual de São Paulo (USP). Teve promissora parceria comercial com seu sogro, Júlio de Mesquita, do jornal “O Estado de São Paulo”. Era casado com Raquel de Mesquita.
   Influenciou na criação da Frente Única Paulista, contrária ao governo Getúlio Vargas, tendo forte participação na deflagração da Revolução Constitucionalista de 1932. Com a derrota do movimento, assumiu “O Estadão”, ocupando a cadeira de seu cunhado Júlio de Mesquita Filho, em virtude de seu exílio. Armando Sales também foi o responsável pela criação da Chapa Única por São Paulo, liderança contrária ao governo Vargas. Mesmo assim, o presidente da República o nomeou como interventor no estado de São Paulo. Vargas foi pressionado ao indicá-lo porque as lideranças queriam um paulista civil e Sales se encaixava perfeitamente no anseio dos políticos e empresários de então. Militares foram contrários à sua nomeação.
   Com esta indicação, Armando de Sales Oliveira busca aproximação com o governo federal numa política de “boa vizinhança”. Foi nesta época que o Partido Constitucionalista influencia a indicação de dois paulista para minitérios: Vicente Rao (Justiça e Negócios Interiores) e José Carlos de Macedo Soares (Relações Exteriores).
   Armando de Sales Oliveira tentou ser candidato a presidente do Brasil. Comunicou o fato a Vargas no final de 1936. As eleições estavam previstas para janeiro de 1938. Saiu do governo paulista em fevereiro de 1937 e aliou-se ao governador Flores da Cunha, do Rio Grande do Sul, grande opositor a Vargas.
   A vida política de Armando de Sales Oliveira termina em novembro de 1937 quando Vargas, apoiado pelos generais Eurico Gaspar Dutra (ministro da Guerra) e Góes Monteiro (chefe do Estado-Maior do Exército), fecha o Congresso Nacional e cancela as eleições. Era instituída a ditadura do Estado Novo.
   Armando passa um ano em prisão domiciliar. Exila-se na França e depois nos Estados Unidos e Argentina. É anistiado em 1945, falecendo em 17 de maio deste ano, após retornar a São Paulo.

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