quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ACIPI e a Revolução de 1932

Primeira Diretoria da ACIPI, 1933.
Da esquerda para direita (em pé): Ermelindo del Nero; Elias Daibes; Esmeraldo Mülller; Henrique Nehring; Mário Lordello. Da direita para a esquerda (sentados): Luiz Gonzaga de Lima; André Ferraz Sampaio; Luiz Dias Gonzaga; Luiz Coury; Terenzio Galezi; Coronel Manoel Ignácio da Motta Pacheco



Abalados com a quebra da bolsa em Nova York, em 1929, e endividados com os altos juros dos empréstimos feitos para salvar a safra, cafeicultores e agricultures paulistas sentiram-se desfavorecidos diante da competitividade externa que começava ganhar corpo no Brasil. Isso somando-se, ainda, a queda do governo oligárquico, após o golpe de Getúlio Vargas, em 1930.

 Diante disso, os agricultores decidiram se organizar e reivindicar com maior agilidade a reforma na constituição brasileira. Em 1932, após o assassinato de quatro jovens no dia 23 de maio, e que acabou resultando no movimento chamado de M.M.D.C. (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), a guerra dos paulistas contra o governo federal estoura no dia 09 de julho daquele ano.

 A elite paulistana exigia a reforma na constituição, e receberam apoio do PRP (Partido Republicano Paulista), que, por sua vez, era simpatizante dos cafécultores, assim como Luiz Dias Gonzaga, o primeiro presidente da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), em 1933.

 Gonzaga foi prefeito da cidade por 4 (quatro) oportunidades, exerceu mandatos, segundo Cecilio Elias Neto, a modo dos coronéis perrepistas, como eram identificados os membros do partido na época. Diretamente afetado pela revolução de 1932, quando esteve a frente da prefeitura municipal, recebeu, em 1933, a oportunidade de colaborar para a inauguração da Acipi, conforme ocorreu no extinto teatro Santo Estevam.

 A relação de Luiz D. Gonzaga com o movimento dos paulista diante da revolta de 32, concedeu a criação do monumento aos voluntários na antiga praça Sete de Setembro, atual praça José Bonifácio, em 1938.

 A Acipi não foi criada obrigatoriamente por conta da revolução, como também não existe nenhum registro que comprove a intensão da entidade ser inaugurada no dia de comemoração da revolta. Porém, as homenagens ao acontecimento de maior orgulho dos paulistas, ao menos no período, foram mencionadas durante o primeiro registro na ata de fundação da entidade, no dia 09 de julho de 1933:

 “Reaberta a sessão, o sr. presidente (Moacyr Amaral Santos presidente provisório da sessão) propoz que se prestassem homenagens aos soldados que tombaram no campo de luta, na revolução constitucionalista, permanecendo por espaço de um minuto a assembléia toda de pé, em silencio.”

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Fonte:

Cecílio Elias Neto. Piracicaba Política – A História que eu sei 1942/1992. UNIMEP, 1992.

Boris Fausto – História do Brasil. EdUsp, 1995.



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