segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Porquê de 9 de Julho




VOCÊ SABE POR QUE O DIA 9 DE JULHO É FERIADO EM SÃO PAULO?

É porque nesta data realiza-se uma homenagem aos paulistas que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932. Ainda não sabe do que se trata? Então é melhor voltar no tempo e aprender um pouco de história.

Um pouco antes, no ano de 1930, aconteceu outra revolução. Chamada de “Revolução de 30″, ela foi liderada por políticos e militares que tiraram o então presidente Washington Luís do poder e colocaram Getúlio Vargas em seu lugar. Esta revolução marcou o fim da República Velha, quando o país era governado pelos grandes fazendeiros de café de Minas Gerais e São Paulo, e deu início à “Era Vargas”, que durou 15 anos.

Mas, tão logo sentou na cadeira de presidente, Getúlio Vargas fez uma coisa que desagradou a muitos brasileiros: ele deu amplos poderes para si mesmo e aboliu o Congresso e as Câmaras Municipais, que faziam as leis. Ele também demitiu os governadores dos Estados e colocou “interventores” em seus lugares.

O pior é que, antes disso, Getúlio Vargas havia declarado que o país precisava de uma nova Constituição. Mas, dois anos depois de assumir o poder, Vargas não havia tomado nenhuma providência neste sentido.

As atitudes do presidente geraram grande insatisfação. Em maio de 1932 foi realizado um comício, reivindicando uma nova Constituição para o Brasil. A manifestação foi reprimida pela polícia e terminou em conflito armado. Quatro estudantes morreram: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Em homenagem a eles, o movimento constitucionalista passou a se chamar MMDC, sigla formada pelas iniciais de seus nomes.

Dois meses mais tarde, justamente no dia 9 de julho de 1932, explodiu a revolta dos grupos constitucionalistas. Lideradas por Isidoro Dias Lopes, as tropas dos rebeldes ocuparam as ruas de São Paulo. A população saiu às ruas para apoiar a revolução.

Mas o governo federal tinha armas melhores e mais soldados. Até aviões eles usaram para bombardear cidades do interior paulista. Como outros estados não apoiaram São Paulo, após três meses de luta os constitucionalistas tiveram que se render.

Este foi o maior confronto militar que aconteceu no Brasil no século XX. Apesar da grandeza da revolução, somente dois anos depois, em 1934, o povo conseguiu eleger uma assembléia para promulgar uma nova Constituição do país.

Para saber mais, assista o excelente filme/documentário “A guerra dos paulistas”.  A TV cultura já o exibiu em 2002, em comemoração aos 70 anos do levante.
  
                             AO 9 DE JULHO DE 1932

  




                  











                                                         

 
                                                          Cartaz de convocação MMDC  

                                                         Depois do furor que abalou a democracia nacional
1932 ensinou que a alma permanecerá
Prevalecerá o espírito que conduziu homens e mulheres ao front de batalha
Suas famílias choraram de maio a outubro, mas seus netos riem em 2013

O sorriso de netos e netas ultrapassa a epiderme,
Sabendo que seus avós são heróis.
Em 2013 comemoramos 81 anos de um levante contra irmãos
Os irmãos que fecharam os olhos a favor de Vargas

Até hoje não sabemos o número de baixas dos governistas getulistas
Mas em uma ditadura imposta por Vargas,
sendo sua admiração inspiradora a Alemanha nazista,
Encontrou bravos MMDC que levantaram o povo das treze listas

Que morreu em nome da pátria paulista

 Mausoléu do Ibirapuera. Restos mortais MMDC

Com punhos sempre abertos, revoltosos sob a Santificada
A Revolução foi necessária.
Alguns queriam o separatismo,
Mas lutamos para que existisse um "São Paulo grande dentro de um Brasil maior ainda"
 Uma grande sociedade clandestina nasceu, MMDC era a sua sigla
Um Martins que não foge à luta
Puxando pelos braços um Miragaia cheio de vontade de lutar
Dráuzio chegou com o sangue do povo paulista à Praça da República
E os três mais Camargo morreram para dar luz à Revolução
Em agosto morre Alvarenga, não aguentando seu sangue jorrar, falecendo

MMDCA


                                                                      A Santificada
Se getulistas morreram pelo Brasil,
Paulistas morreram aos montes
Seus nomes são lembrados para nunca esquecermos A Santificada

Amando também o Brasil nas cruzadas
9 de Julho é hoje, dia da Revolução
MMDC nasceu para mostrar ao território nacional
que o povo tem e sempre terá o poder nas mãos

Mas jamais esqueçamos os nossos paulistas de ontem
que lutaram para termos uma democracia hoje


Amém, sangue paulista das treze listas.

Postado por Abner Martins

quarta-feira, 12 de junho de 2013

9 de Julho e o Soldado Piracicabano



9 de Julho e o Soldado Piracicabano
Autoria: Cecílio Elias Netto

Publicado por: Tais Romanelli
O “9 de Julho” é uma das datas magnas da história cívica de São Paulo. Quando, durante o golpe militar, se minimizou a grande epopéia – anulando-se, inclusive, o feriado cívico – muito dessa história foi relegado a segundo plano, pois o objetivo era o de se esquecer a vocação paulista para a democracia e a constitucionalidade. Piracicaba entrou, também, nessa fase de banalização da história, de forma que se tornou secundária também a memória de nossos feitos, de nossa participação, do heroísmo piracicabano na saga paulista.

Nestes últimos anos, quando a Revolução Constitucionalista de 1932 retorna ao calendário cívico – e as comemorações se multiplicam pelo território paulista – é lamentável que Piracicaba se comporte apenas como coadjuvante ou expectadora, quando, na realidade, esta cidade foi ponta-de-lança na rebelião paulista. Daqui, saiu um dos primeiros batalhões do interior de São Paulo e a revolução teve, no comando, líderes da envergadura de um Paulo de Moraes Barros e de um Francisco Morato.

Essa história piracicabana, na grande epopéia paulista, não pode e não deve ser minimizada pelos piracicabanos. E é lamentável que a Prefeitura tenha tão pouco conhecimento dessa história de forma a deixá-la passar quase em branco, a não ser uma que outra comemoração absolutamente pro-forma. É esse, talvez, o grande problema que mina Piracicaba: os políticos do poder não têm dimensão da história e se amoldam a pragmatismos inócuos e apenas oportunistas. Há uma ignorância tumular e, ao mesmo tempo, um desinteresse quase absoluto pelo conhecimento de nossa história, de nosso passado, de nossos líderes e heróis de tantas conquistas.

O primeiro batalhão piracicabano partiu em 16 de julho de 1932, poucos dias depois, portanto, dos primeiros gestos e atitudes revolucionárias. O Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes guarda a história e o nome desses nossos heróis, sendo Ennes Silveira Mello o primeiro mártir a tombar na linha de defesa de Queluz. A prisão de Francisco Morato, o grande jurista e líder político, passou para a história como um dos momentos mais infames daquele início da ditadura Vargas.

O monumento ao Soldado Constitucionalista, construído por Luiz Dias Gonzaga – e, depois, removido em historicamente lamentável atitude de João Herrmann Neto – registra essa história com versos imortais de Francisco Lagreca.

A família de Renato Leme Ferrari, bisneto de Francisco Morato, deve guardar a preciosidade histórica das cartas que o notável jurista escreveu, da prisão e do exílio, para seu genro Celso Leme e para Cecília, sua neta do coração.

O “9 de Julho” merece, em Piracicaba, lideranças mais lúcidas e nobres que o comemorem com a dignidade histórica de que se reveste para São Paulo e, em especial, para nossa terra. Estamos sendo soterrados pelo desprezo à memória. Mas desprezá-la é próprio de lideranças medíocres. Bom dia.
http://www.aprovincia.com.br/bom-dia/9-de-julho-e-o-soldado-piracicabano/


Canção de um menino piracicabano

           Francisco de Castro Lagreca                           


Este é o valor da terra estremecida,
É o poema à glória piracicabana!
Pela Pátria a lutar, vida por vida,
Tombaram com bravura soberana!

Dor e martírio de uma raça forte,
Que a luz e o ideal de um sentimento novo!
Sobre estas pedras não existe a morte,
Porque não morre quem defende um povo!

(Estes versos, que ornam o monumento ao Soldado Constitucionalista,
na praça central de Piracicaba, foram escritos pelo poeta Francisco Lagreca aos treze anos de idade.)

Soldados Piracicabanos que foram para a Revolução defender a Constituição do Brasil - Nossas homenagens aos Soldados Constitucionalistas de 1932