quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Iscar Antonio Bressan

Iscar Antonio Bressan, ao centro, ladeado por seu sobrinho Neptune e
por Edson Rontani Júnior durante entrega da Medalha e do Diploma MMDC
em 9 de julho de 2013, na Câmara de Vereadores de Piracicaba.


   Faleceu o senhor Iscar Antonio Bressan. Voluntário na Revolução Constitucionalista de 1932. O penúltimo combatente vivo. A história da Epopéia Paulista resume-se em Piracicaba, ao senhor Romeu Gomes, que possui 97 anos de idade e que, junto a Iscar, representava os remanescentes desta luta pela democracia brasileira.
   Em abril passado, a diretoria do Núcleo Voluntários de Piracicaba fez uma visita à sua residência, situada na rua Prudente de Moraes, quase esquina da rua do Vergueiro, onde ele costumava sentar à tarde, para ver os veículos passados. Sentado em uma cadeira plástica, apoiado em um andador, ele recebeu o presidente Edson Rontani Júnior e a vice-presidente Anna Thereza Prado. Como não conseguida ouvir muito, ele bradava "Isaber ! Isaber !", clamando por Isabel que era sua acompanhante no dia a dia. Depois lembrou-se que Isabel só viria a noite e não estaria ali, naquele horário (14 horas, conforme marcado previamente). Em seguida, Isabel surge da rua e nos recepciona. 

   Iscar, com a audição debilitada nos recebe em sua casa, na rua mesmo. Posa para algumas fotos e relembra fatos da Revolução de 1932, quando serviu como voluntário. Lembrava da fome que passava na divisa do Vale do Paraíba e ao ver seus colegas serem mortos. Com certeza, a memória da Revolução não se resumem a apenas estes fatos. Poderiam ser lembrados se eles nos ouvisse. Algo meio difícil e às vezes auxiliado por sua acompanhante "Isaber".

   Pediu-nos para que voltassem em 13 de junho, quando completaria 100 anos de idade. "Não se esqueçam", disse a mim, Edson, e a Anna. Marcamos de comprar-lhe um presente. Não pude comparecer na semana do aniversário devido a compromissos. Anna esteve presente. Levando-lhe uma lembrança pelo centenário.

   Marcamos presença poucos dias antes do 9 de julho convidando-o para a solenidade da Câmara de Vereadores. Ele compareceu ! Foi acompanhado de seu sobrinho, Neptune, que pretendia elaborar um vídeo sobre sua vida. Dias antes, ele ocupou uma página inteira no Jornal de Piracicaba, falando de sua vida. Com direito, inclusive a chamada na capa.

   Neste dia 9 de julho ele estava lá. Sentado em cadeira de rodas. Pronto para receber do Núcleo MMDC a Medalha e o Diploma outorgado pela Sociedade de Veteranos MMDC através de autorização do presidente coronel PM Mário Fonseca Ventura. Ao final, deliciou-se da mesa de café servida na antessala do Salão da Câmara de Vereadores e partiu para casa.

   Agora partiu de vez. Confesso que passo toda tarde na rua Tiradentes, por força de ser o caminho de meu serviço para minha casa, e não o encontro mais como o via, todo dia, sentado em sua cadeira "olhando os carros", servindo de exemplo para meu filho de oito anos que estudou na escola vizinha à casa do senhor Iscar e que referia-se a ele como o "soldado da guerra". Que descanse em paz, senhor Iscar....

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É com muito pesar que comunicamos a morte de mais um combatente de 32. Aos 100 anos, morre em Piracicaba o sr. Iscar Bressan.
Iscar Bressan, voluntário em 1932, foi ferido com um tiro na cabeça... Sobreviveu para contar a história. Bressan era viúvo da Sra. Rosa Bressan. Filho de Bressan Emilio e Beatriz Rensi. Foi sua filha: Joana D´Arc Bressan Benatti, já falecida que foi casada com Alberto Maria Benatti Junior. Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Saudade da cidade de Piracicaba.
Atualmente, restam apenas 29 ex-combatentes de 1932 ainda vivos.
 


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