segunda-feira, 8 de julho de 2013

Nossa Bandeira


"O Diário de Piracicaba". Uma de suas várias edições da década de 1950. Com desenho do artista Edson Rontani, o 9 de julho era lembrado com poesia de autoria de Guilherme de Almeida, enaltecendo os "Voluntários de Piracicaba".

Nossa bandeira !

Guilherme de Almeida

Bandeira da minha terra;
  Bandeira das treze listas;
  São treze lanças de guerra
  Cercando o chão dos Paulistas !

Prece alternada, responso
   Entre a cor branca e a cor preta;
   Veias de Martim Afonso,
   Sofaina do padre Ancheita !

Bandeira de bandeirantes,
  Branca e rota de sorte,
  Que entre os rasgões tremulantes
  Mostrou as sombras da morte.

Riscos negros sobre a prata;
   São como o rastro sombrio
   Que na água deixava a chata
   Das Monções, subindo o rio.

Página branca – pautada
   Por Deus numa hora suprema,
   Para que, um dia, uma espada
   Sobre ela escrevesse um poema:

O poema do nosso orgulho
   (eu vibro quando me lembro)
   Que vai de nove de julho
   A vinte e oito de setembro

Mapa de pátria guerreira
   Traçado pela vitória:
   Cada lista é uma trincheira;
   Cada trincheira, uma glória !

Tiras retas, firmes : quando
   O inimigo surge à frente,
   São barras de aço guardando
   Nossa terra e nossa gente.

São os dois rápidos brilhos
   Do trem de ferro que passa:
   Faixa negra dos seus trilhos
   Faixa branca da fumaça

Fuligem das oficinas;
   Cai que as cidades empoa;
   Fumo negro das usinas
   Estirado na garoa !

Linhas que avançam: há nelas.
   Correndo num mesmo fito,
   O impulso das paralelas
   Que procuram o infinito

É desfile de operários;
   É o cafezal alinhado;
   São filas de voluntários;
   São sulcos do nosso arado !

Bandeira que é o nosso espelho !
   Bandeira que é nossa pista !
   Que traz, no topo vermelho,
   O coração do paulista !
 

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