segunda-feira, 22 de julho de 2013

9 de julho é o exemplo

E tudo começou com os jovens, como sempre aconteceu na história da humanidade. Estudantes do Largo São Francisco saíram às ruas, pedindo uma Constituinte.  O movimento foi crescendo, com manifestações em todo Estado de São Paulo, culminando no trágico 23 de Maio, dia que se imortalizou em  nomes de ruas e praças em todo Estado de São Paulo, com o assassinato de quatro jovens estudantes (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo) na Praça da Republica pelas balas da ditadura. Foi o estopim da revolta represada na garganta paulista , nascendo aí o movimento MMDC, base inicial de Revolução de 9 de Julho.

A  propaganda da ditadura jogou o Brasil inteiro contra São Paulo, iniciando o marketing da mentira, como hoje acontece nas redes nacionais dos presidentes de plantão, passando ao povo a idéia de que os italianos de São Paulo queriam separá-lo do Brasil.

Vendo hoje os jovens clamando por vários direitos, as ruas ardendo de mensagens em favor da cidadania, gostaria de relembrar quatro heróis inesquecíveis de 1932, começando por Aldo Chiorato, 9 anos de idade, escoteiro, morador em Campinas, convidado pelo comando do Exército Constitucionalista MMDC, para a função de mensageiro secreto entre as várias unidades militares da região de Campinas. Num intenso bombardeio aéreo sobre as unidades militares, Aldo estava levando uma mensagem e, nas proximidades da unidade foi atingido por uma bomba. Sepultado no cemitério da cidade sem honras militares, a história de Aldo só foi descoberta 20 anos depois pelo MMDC, gerando intensa comoção entre os revolucionários, ocasião que os restos de Aldo Chiorato foram transladados para o Mausoleu do Ibirapuera, no lugar de maior destaque, eternizando seu heroísmo.

As mulheres paulistas tiveram uma participação jamais vista em toda história do Brasil. Trabalharam na retaguarda e muitas foram para a linha de frente, com destaque para Cora Coralina no atendimento aos feridos e Maria Soldado. Cora Coralina ficou famosa no Brasil inteiro por seu talento literário e pouca gente sabe de seu heroísmo na revolução. Já Maria Soldado, maior heróina, em gênero, número e grau da Revolução, era uma pobre cozinheira negra, dotada de uma valentia pessoal exemplar e totalmente engajada no espírito cívico da revolução. Vendo o desespero de nossas forças diante da imensa supremacia militar da ditadura, Maria soldado deixou a cozinha e pediu para lutar nas trincheiras. Metralhadora em punho, lutou bravamente, tornando-se alvo de admiração e aplausos de seus colegas.
Paulo Virginio era um humilde lavrador em Cunha, no Vale do Paraíba, cenário das maiores batalhas em 1932. Andava pelo mato, quando foi abordado pelas tropas da ditadura que penetraram em solo paulista. Interrogado se sabia a direção das tropas paulistas, disse que não sabia, mas sabia que São Paulo iria ganhar a guerra. Então começou a sessão de tortura mais cruel de toda revolução. Obrigado a cavar sua própria sepultura, foi barbaramente espancado, queimado, e sempre gritando, mesmo no delírio da dor insuportável que São Paulo vence. Esfaqueado dezenas de vezes, baleado, foi sepultado ao som das gargalhadas criminosas de seus algozes. A barbaridade do suplício de Paulo Virginio foi de tal natureza que no armistício uma das condições paulistas era que a ditadura punisse os criminosos. Foi a única punição conhecida de Getúlio, condenando o chefe da tropa a pena máxima de prisão.  Paulo Virginio hoje é estátua na entrada de Cunha e nome da rodovia regional.

O Capitão do Exercito Manoel de Freitas Novaes Neto. conhecido como Capitão Neco, liderou as tropas do exercito que se rebelaram a favor de são Paulo e foi enfrentar as federais na divisa do rio de Janeiro. Dia 5 de Agosto de 1932, acossado pelas tropas federais, com o triplo de soldados, ouviu das trincheiras federais o apelo para que os paulistas se entregassem. Capitão Neco levantou-se e gritou que um paulista morre, mas não se entrega, sendo imediatamente fuzilado.
Capitão Neco é nome da principal rua de Cruzeiro e junto com os demais heróis, sepultado no Mausoléu do Ibirapuera.

A frase de Machado Florence “ Viveram pouco para morrer bem; morreram jovens para viver sempre “ é  o mais sublime testemunho de que 9 de Julho é o melhor de todos os exemplos.

Roberto Gonçalves - Cientista Político em São José dos Campos (http://www.jornaldejales.com.br/noticia/9-de-julho-e-o-exemplo.html)

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