sexta-feira, 5 de abril de 2013

O piracicabano PAULO DE MORAES BARROS: um dos líderes da revolta de 1932


Paulo de Moraes Barros


Paulo de Moraes Barros (Piracicaba, 16 de junho de 1866 - São Paulo, 15 de dezembro de 1940) foi um médico sanitarista e político brasileiro.
Durante a República Velha foi encarregado da Secretaria dos Negócios da Agricultura, Obras públicas e Comércio do Estado de São Paulo.
Exerceu por cerca de vinte anos a presidência da câmara municipal, tendo sido deputado federal e senador. Neste último cargo, quando em 1937 implantou-se o Estado Novo no país, foi exilado por Getúlio Vargas.
Por nomeação do grande sanitarista Emílio Ribas, exerceu a função de fiscal de higiene em Piracicaba. Quando o estado de São Paulo foi assolado pela epidemia de febre amarela, seu trabalho incansável e profícuo conseguiu manter a cidade livre da epidemia.
Além de ter exercido a medicina, foi um destacado produtor de café na fazenda Pau Dalho e, num trabalho de pioneirismo, processou o cruzamento do gado devon, visando o melhoramento do rebanho bovino.
Foi secretário da Fazenda durante a Revolução de 1932, e também um dos fundadores do Partido Democrático. Sua atuação como militante político foi quase sempre na oposição.

Paulo de Moraes Barros
Fonte: Memorial de Piracicaba 2002/03, de Cecílio Elias Netto
Autoria: Beatriz Elias*

Ele foi o grande herdeiro de Prudente e Manoel de Moraes Barros. Teve influência e respeito nacionais.


            Estar entre os Moraes Barros certamente já trazia, a cada um dos descendentes de Prudente e Manoel de Moraes Barros, quase que uma herança política, de liderança e de compromissos. Mas, Paulo de Moraes Barros, sobrinho de Prudente e um dos filhos do senador Manoel de Moraes Barros e de Maria Inês de Moraes Barros, mais do que a todos os outros, tornou-se o principal herdeiro político da família, assumindo até mesmo a presidência do Partido Republicano.
            Nascido em 16 de junho de 1866, em Piracicaba, Paulo formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e como médico se tornou mais conhecido, embora já atuasse na vida pública. Atuando na área da saúde, em 1891 foi nomeado intendente municipal de Piracicaba por Cerqueira César, então na presidência da Província. De 1896 a 1913, foi vereador, assumindo por várias vezes a presidência da Câmara. Foi eleito deputado e senador, e ainda secretário da Agricultura, de Obras e Viação, da Fazenda, durante os governos Rodrigues Alves e Pedro de Toledo.
            Em 1912, ao ser nomeado por Rodrigues Alves, foi descrito pelo jornal "O Estado de São Paulo", como um político cem por cento e um técnico em finanças e agricultura. O artigo garantia que "transformou aquela cidade numa das mais belas de nosso Estado e Piracicaba deu o exemplo,que supomos único no Brasil, de uma administração que consegue executar melhoramentos e apresentar saldos sucessivos no seu orçamentos".
            Na prática, Paulo de Moraes Barros, em apenas oito meses, com severa economia, remodelou a administração municipal, pagou todas as dívidas e, em 1892, entregou, aos primeiros vereadores significativo saldo nos cofres municipais. Isso não o impediu de atuar como médico, iniciando a vacinação contra varíola, na cidade, ao final do século XIX. Acumulando o cargo de inspetor sanitário com o de presidente da Câmara, dividiu a cidade em distritos quando a peste bubônica chegou ao Estado, formando comissões populares e equipes de limpeza voluntárias.
            Ao avaliar o trabalho do Partido Republicano, em homenagem que lhe foi prestada em 1910, Paulo admitiu o quanto seu trabalho fora produtivo: a população quase duplicara, o cemitério estava reconstruído, praças e jardins estavam cuidados, o Itapeva -"antes focos de miasmas e embaraço à visão até dos pedestres" - estava saneado e pontes de alvenaria permitiam o trânsito de pedestres, a iluminação a querosene fora substituída por iluminação elétrica, houve a construção do Hospital do Isolamento, a rede de esgotos foi instalada.
            O sentido da prática política que o inspirava foi manifestado no mesmo discurso: " e na partilha desses benefícios tereis sido porventura vós (os do Partido Republicano) os melhores aquinhoados? Não, meus senhores, deles se beneficiaram os amigos como os adversários, os brancos como os pretos, o nacional, como o estrangeiro, os poderosos como os humildes; a partilha foi equitativa como tudo que se baseia nos sólidos preceitos do justo e do honesto. O quinhão que vos coube e esse, verdadeiro quinhão de honra, é o da satisfação do dever cumprido, é o da tranqüilidade de uma consciência pura e simples".
            Paulo de Moraes Barros não deixou, entretanto, de enfrentar os reveses próprios da política. Em 1930, apoiou a aliança com Getúlio Vargas, tendo sido nomeado por este, por alguns dias, Ministro da Viação e, interinamente, da Agricultura.  Mas os paulistas romperam com Getúlio e aconteceu a Revolução Constitucionalista de 1932. Tendo liderado a revolta e estando entre os paulistas derrotados - ao lado de Pedro de Toledo, Waldemar Ferreira, Rodrigues Alves Sobrinho, entre outros - Paulo de Moraes Barros enfrentou o exílio, permanecendo na Europa por um ano.


Na foto: General Bertholdo Klinger, Paulo de Moraes Barros, Waldemar Ferreira e Paulo Arantes

            Em Berlim, Paulo já vivera anos antes, quando, em busca de recursos médicos para enfrentar a doença que acabaria por matar sua primeira esposa, Elisa de Salles. (Casou-se, em segundas núpcias, com Maria Luísa Quirino dos Santos).  Como representante do governo federal, ele viajara pelo mundo, participando de congressos na área agrícola na Áustria, Itália, Egito. Justamente por essa familiaridade com as sociedade mais avançadas e com os mais recentes progressos tecnológicos, coube a ele possuir o primeiro automóvel que circulou em Piracicaba, cujo motorista protegia-se com uma máscara.
            Morreu em 15 de dezembro de 1940.

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