sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sebastião de Azevedo Aguiar

SEBASTIÃO DE AZEVEDO AGUIAR, “ Soldado Constitucionalista de 1932”



Sebastião de Azevedo Aguiar,”Zito Aguiar”, nascido em 08/11/1903 em São Pedro - SP, filho de Francisco Mendez de Aguiar e Maria Augusta de Aparecida Aguiar,., RG 4.263.534,  Fez o curso primário no Grupo Escolar Gustavo Teixeira e posteriormente a Escola de Contabilidade em Piracicaba. Casou-se com Maria Apparecida Gravena de Aguiar ( professora do curso primário ), “Cida Gravena”, “Artista da Terra de São Pedro”, pintora da natureza, e teve três filhos João Francisco de Aguiar ( economista e professor universitário), Enio Sebastião de Azevedo Aguiar ( Engenheiro civil e empresário) e Viviani Aparecida de Aguiar, bacharel em pedagogia e artes plásticas, professora e funcionária pública da Prefeitura de São Bernardo do Campo – SP.
Alistou-se em 1924 como voluntário no Grupo de Piracicaba para servir ao chamado por uma nova constituição em 1932 e foi enviado com outros piracicabanos à batalha. Segundo relato pessoal entrou em combate, mas não foram achados detalhes do seu envolvimento. Para efeito da Comissão do artigo 30 das disposições transitórias do Estado de São Paulo e nos termos do artigo 12 letra da lei 211 de 07/12/1948 houve reconhecimento da sua participação no movimento constituinte, processo numero 13269 em 14/05/1951.

Documento de Identidade de Convocação – Revolução de 1932

Transcrição da Carta de Sebastião de Azevedo Aguiar em que prova sua participação no front de batalha: "Sebastião de Azevedo Aguiar, voluntário do 1º Batalhão Piracicabano, registrado sob o n. 10) - número 46 L1 - Parti com o 1º Batalhão Piracicabano em 17 de Julho de 1932, com destino à São Paulo, fomos depois alojados em Quitaúna, de onde partimos para o front, sob o comando do Cap. Severino, sob às ordens do Cel. Andrade, nosso primeiro combate, deu-se na "Fazenda Palmeiras", município de Areias, depois seguimos Cachoeira, Silveiras, São Luiz do Paraitinga em Taubaté quando terminou a Revolução. Soldado nº 1.169."


Sebastião de Azevedo Aguiar

Recebeu a Medalha da Constituição nos termos da resolução 330 de 25/06/1962, documento assinado pelo presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, datado de 07/09/1964. Um dos documentos da época relativamente ao  Artigo 30 e o Batalhão piracicabano menciona AGUIAR, SEBASTIÃO DE AZEVEDO Numero 46,- LFicha 1169 prot 7068 e 7777. Em São Pedro, sua cidade natal, foi honrado com nome de uma das ruas, além de inúmeras homenagens como revolucionário de 1932, inclusive tem seu nome gravado em um ícone disposto em praça pública com outros revolucionários são-pedrenses de 1932.  Faleceu em 1971.

Sebastião de Azevedo Aguiar – Prefeito de São Pedro em 1947

Foi um homem de caráter firme, íntegro, reto e compromissado com seus superiores, dando um exemplo de vida para todos os seus. Esta qualidade foi reconhecida pelo prefeito Lázaro Capelari (“Lazinho”) em seu livro “O Último Coronel”, página 20 (1). Uma passagem curiosa que vale a pena eternizar. Conta “Lazinho” que certa vez o Delegado em exercício da cidade queria prende-lo, sem motivo justo. No dia marcado Zito Aguiar chega à prefeitura e percebe os portões fechados, como era um dia útil estranhou, mas logo soube do ocorrido e, juntamente com outros funcionários e em grupo foram conversar com o prefeito “Lazinho”. Ao saber da ameaça Zito Aguiar tomou a frente, nas palavras do escritor, e disse em alto e bom som “Prefeito, pedindo desculpas ao Senhor, queremos cientificá-lo de que haverá expediente sim, só sairemos daqui juntos com o Senhor, seja para onde for”. Há várias outras passagens que mostram o caráter reto e diferenciado de Zito Aguiar, infelizmente não documentadas por fonte alternativa. Foi um autêntico patriota e revolucionário e como outros valentes piracicabanos dispôs da sua vida em prol de uma nova constituição em um dos  movimentos cívicos dos  mais relevantes do Brasil, “ A Revolução de 1932” .
(1)Gráfica Editora Degaspari: Piracicaba, 2002. Http://www.graficadegaspari.com.br.

Publicação sobre Sebastião de Azevedo Aguiar no Jornal de Piracicaba página 2 edição de 09/07/2011

Essas informações e demais pertences estão em poder do seu filho João Francisco de Aguiar  (jf.aguiar@uol.com.br em São Pedro – SP), as quais serão doadas ao museu de São Pedro conforme desejo dos seus filhos na qualidade de são-pedrenses.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

DR OCTÁVIO TEIXEIRA MENDES - UM DOS HERÓIS DE 1932

DR. OCTAVIO TEIXEIRA MENDES: UM VERDADEIRO PIRACICABANO


 

Nascido no município de Piracicaba, SP, em 21 de março de 1882, Octávio formou-se em engenharia mecânica pela escola Politécnica da USP, lecionando na ESALQ – Piracicaba.
Membro de numerosa família com nove irmãos, Octávio casa-se em 1905 com Leonina Marques. Dessa união feliz nascem 14 filhos, dos quais a única viva é Mariinha. Com sacrifício e muito trabalho, Octávio consegue formar todos os filhos. Os filhos formam-se engenheiros Agrônomos e as filhas mulheres cursam a Escola Normal.
                               
     Octávio e d. Leonina

 Para manter a família, Octávio mantinha três empregos: Professor Catedrático da ESALQ, professor particular e mecânico na oficina que possuía no fundo de sua residência.
Com o estouro da Revolução constitucionalista de 32, Octávio Teixeira Mendes e mais cinco filhos alistam-se no batalhão Piracicabano. Eram muitas as dificuldades: Octávio já contava com 50 anos, possuía filhos e 120 alunos no conflito.

Octávio Teixeira Mendes 21/03/1882 - 26/10/1945
Leonina Marques Mendes 07/05/1883 - 16/04/1968

Casaram-se em São Paulo, em 24/12/1905

Octávio e Leonina Marques (Leona):
Maria Elisa Teixeira Mendes (Sinhá), casada com Tufir Abrahão
04/05/1906
04/05/1998
Octavio Augusto Teixeira Mendes
21/06/1907
17/10/1988
Luiz Octavio (Zi), casado com Elisa Teixeira Mendes
23/10/1908
14/09/1985
Maria Celestina (Mariinha), casada com Nelson Gonçalves Torres
18/07/1910
Maria Angela (Dada), casada com Manoel Gonçalves Torres
14/09/1911
25/06/1976
Maria Antonieta, casada com Francisco Godoy
31/12/1912
05/02/1999
Antonio José (Tonzé), casado com Gessy Juliano Dias
13/02/1914
31/03/1993
Pedro (Pitó), casado com Irene de Campos Melo
23/08/1915
06/07/1948
Maria Leonina (Nina), casada com Herbert Silveira Costa
04/05/1917
22/09/1988
Theodemiro (Bibo), casado com Gertrudes Dias Ferraz, depois com
22/01/1919
24/06/1986
Esther Teixeira Mendes, em 3ªas núpcias com Maria Helena Mônaco
Maria José (Cujá), casada com Fábio de Paula Machado
16/06/1920
20/01/1997
José Mariano Teixeira Mendes (Marianinho)
16/11/1921
18/05/1922
Mariana, casada com Stanislau Jonasek, depois com Cyro Brasiliense
06/08/1923
08/12/1984
Marieta, casada com Hélio José Scaranari
31/07/1925
24/09/2009







Filhos de Octavio

As irmãs – Maria Angela, Maria Antonieta, Maria Celestina e o pai Octávio Teixeira Mendes

PIONEIRO DA INDÚSTRIA EM PIRACICABA: DR. OTAVIO TEIXEIRA MENDES

O pioneirismo industrial de Piracicaba foi marcante no início do Século XX.
Usinas: Teixeira Mendes antes de Dedini
Autoria: Cecílio Elias Netto
  
  A nossa história registra com detalhes, na segunda metade do Século XX, a importância da produção industrial de equipamentos para a indústria sucro-alcooleira pelo Grupo Dedini, resultado da verdadeira revolução industrial provocada pela lucidez de Mário Dedini que, bem a propósito, recebeu o reconhecimento ao ser-lhe dado o qualificativo de "Contemporâneo da Posteridade".
No entanto, Piracicaba já produzira grandes peças para usinas na década de 1920. E a responsabilidade foi toda de um outro grande líder e visionário, a quem Mário Dedini muito recorreu: Octávio Teixeira Mendes. Ele e João Bottene são, infelizmente, personalidades que nossos escritores e escolas mantêm em penumbras inexplicáveis.
  As Oficinas Teixeira Mendes, que trabalhavam com fundição de ferro e bronze, mecânica, carpintaria e veículos, segundo relata a historiadora Maria Celestina Teixeira Mendes, aceitaram, na década de 20, uma encomenda de uma usina de açúcar de Lorena, pertencente a Companhie Sucréries Brésiliénnes, a mesma que se tornou proprietária do Engenho Central. Tratava-se de uma peça de sete toneladas, que sustentava "três mancais da moenda" (Castelo - base para os mancais suportarem os rolos frisados esmagadores da cana) e que teria que ser importada da França para que a safra pudesse ser processada caso não pudesse ser produzida no Brasil.
  Octávio Teixeira Mendes aceitou o desafio, mas, como sua fundição tivesse capacidade para apenas 1.600 quilos, alugou um local em São Paulo. A peça danificada foi enviada de Lorena a Piracicaba e aqui se fez um molde em madeira do que deveria ser fundido em ferro, o que acabou por ocorrer em São Paulo. O equipamento foi aprovado e a usina pôde, com ela, processar integralmente sua safra.
  As oficinas Teixeira Mendes ainda responderam por outros grande serviços, como a reforma de duas locomotivas da Estrada de Ferro Sorocabana. Mas, na sua produção, também listavam-se itens menores, como ventiladores para porões, ferros de engomar para alfaiates, serras circulares, tornos mecânicos, panelas de alumínio. As oficinas localizavam-se em velhos edifícios e barracões da atual Rua Octávio Teixeira Mendes, atravessando a Rua Santa Cruz, nas proximidades da Escola de Música, onde se encontram poucas paredes remanescentes daquela época.

NA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA
No dia 9 de julho, nos portões do Palácio dos Campos Elíseos, na Avenida Rio Branco, o povo se aglomerava. Pedro de Toledo, com lágrimas nos olhos, falou: "Eu fico com São Paulo". Está iniciada a revolução.
 Em Piracicaba, a reação é imediata. No Hotel Rex, em São Paulo, Fernando Febeliano da Costa e Otávio Teixeira Mendes tinham-se reunido para preparar Piracicaba para a revolta.
Com o estouro da Revolução constitucionalista de 32, Octávio Teixeira Mendes e mais cinco filhos alistam-se no batalhão Piracicabano. Eram muitas as dificuldades: Octávio já contava com 50 anos, possuía filhos e 120 alunos no conflito.

Octávio Teixeira Mendes aparece à direita, encostado no Jipe durante a Revolução de 1932.

Porém, os acontecimentos ocorridos a partir do início da revolução fizeram os paulistas ficarem ilhados dentro de seu território, combatendo isolados em lutas defensivas. De invasores, os paulistas passaram a invadidos pelas tropas federais de Vargas. As deficiências eram tantas, que os paulistas tiveram que improvisar algumas “armas” digamos, alternativas e bem curiosas.
Inventor por natureza, Octávio pensa em criar algum aparato que pudesse ter utilidade no conflito. Cria um dispositivo que simula o ruído de uma rajada de balas de metralhadora e o batiza de Catraca. Rapidamente o simulacro ganha fama sendo conhecido impropriamente como Matraca.
A Matraca, por exemplo, era uma roda dentada com uma manivela que, quando girada em alta velocidade, fazia os dentes da roda rasparem em uma lâmina de aço. O grande ruído provocado: “tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, simulava uma potente metralhadora disparando, e sugeria um suposto alto poder de fogo das tropas paulistas. Foi a partir da Matraca que surgiu a expressão atual que geralmente é dita a uma pessoa que fale demais: “Fecha essa matraca!”



A FAMOSA MATRACA

Octávio resiste à revolução, falecendo de câncer, em Piracicaba, aos 63 anos, dia 26 de outubro de 1945.

Créditos: Guilherme Andreolli Corrêa