sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

NATAL MEIRA BARROS: O JOVEM REVOLUCIONÁRIO PIRACICABANO MORTO EM COMBATE

NATAL MEIRA BARROS


Na manhã de 27 de agosto de 1932, Natal Meira Barros, voluntário do 2º Batalhão dos Funcionários Públicos, estava ocupando, com outros elementos do mesmo batalhão, uma trincheira na Frente Norte, setor de Pinheiros, quando recebeu ordem de buscar numa trincheira próxima um pau para barraca.
Cumprindo ordem, com mais três rapazes, tomou ele um caminho que passava atrás de um bambual, de maneira a ficar oculto às vistas do adversário. Não lhe valeu a prudência. Uma bala partida de uma posição ocupada pela polícia pernambucana, alcançou-o mesmo através do bambual, ferindo-o gravemente no pescoço.
Recolhido ao Hospital de Sangue de Cruzeiro, não resistiu à grave hemorragia produzida pelo ferimento.
Seu corpo está sepultado em sua terra natal.


Dados Biográficos: Nascido em Piracicaba a 25 de Dezembro de 1914, filho do Sr. Josué Meira Barros e de d. Bianca Buldrini de Barros, Natal era uma moço forte, esportista dedicado e exercia sua atividade no comércio.
Era solteiro e foi por algum tempo instrutor do Tiro de Guerra de Piracicaba, onde residia.



A foto acima mal esconde a idade precoce deste moço, já com feição de "adulto formado", que deixou grande herança aos seus familiares e à Piracicaba. Natal Meira Barros, ou Chinim, teve vida curta. Filho de Josué Meira Barros e Bianca Buldrini, viveu na área central de Piracicaba. A residência de sua família ficava no número 162 da rua do Rosário, esquina da rua Prudente de Moraes, onde hoje encontra-se uma lanchonete. A numeração mudou. O prédio original continua lá. A família anos mais tarde venderia o prédio para ser instalada a Casa Oliveira, e anos depois, funcionou uma sapataria. Seu pai era comerciante de produtos alimentícios e armarinhos. Era o filho primogênito de uma família composta ainda por Romeu, Julieta, Judith e Octávio. Octávio foi quem seguiu a profissão do pai com um supermercado situado nas esquinas da rua José Pinto de Almeida e avenida Estados Unidos, Cidade Jardim em Piracicaba. Romeu morreu cedo também, devido à um infarto. Foi encontrado caído no banheiro de sua casa. Tinha uma lambreta, veículo "da moda" nos anos 50 e 60. Julieta casou-se nos anos 30 com Humberto D'Abronzo, da Caninha Tatuzinho, posteriormente vice-prefeito, candidato na chapa de Luciano Guidotti, comendador e presidente do Clube Atlético Piracicabano e do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba. Julieta, teve vida confortável. Judith casou-se com Manoel Sampaio de Mattos, funcionário público estadual lotado na CATI / Secretaria da Agricultura, que por anos funcionou na rua Rangel Pestana, ao lado do Big Chicken e por onde funcionou até meses atrás o ateliê de Ivan Cabelereiro.

Josué tinha um depósito em casa situada, na rua do Rosário esquina com a rua José Ferraz de Carvalho, ainda conservada e existente.
Natal Meira Barros participou ativamente em sua adolescência do Clube de Regatas de Piracicaba, ponto de encontro obrigatório dos piracicabanos nos anos de 1920 e 1930. Isso porque Piracicaba ainda "acontecia" na beira da rua do Porto, mais precisamente na avenida Beira Rio. Foi auxiliar de educação física no Tiro de Guerra de Piracicaba. 

Na foto acima, a única recordação que a família possuí - a familia já está na quarta geração - ele tinha 16 anos de idade. Claro que parece ter mais, mesmo denunciado pela foto hoje envelhecida e pelos trajes típicos de 1931/1932.

Foi um tio-avô que não conheci. De todos é o que eu, irmãos e tios não possuímos qualquer tipo de lembrança na memória. Creio ter sido um dos últimos também a ter conhecido seu irmão Romeu que faleceu com pouco mais de 30 anos. Mesmo assim, só o conheço de histórias passadas pelos pais e tios. Não vem à minha mente a imagem do "Tio Romeu".

Devido à estas histórias passadas de geração à geração, posso estar sendo cruel e omitindo qualquer fato real. Luís Meira Barros foi vereador e presidente da Câmara Municipal durante os anos 1950, na gestão do prefeito Luís Gonzaga.
Natal Meira Barros foi imbuído pelo idealismo que surgira em 1932 na capital paulista na intenção de evitar as artimanhas políticas de Getúlio Vargas, que havia destituído a Constituição Brasileira e tinha poderes tanto no executivo, como o legislativo e no judiciário. Ele foi um dos Voluntários de Piracicaba que combateu na Revolução Constitucionalista de 1932.

Pelos registros, deve ter sido o combatente mais moço falecido no front.
Judith Meira Barros Sampaio de Mattos, a única irmã viva, na casa de seus 94 anos, lembra que na época não existia rádio. As informações vinham do jornal "O Momento", situado na rua São José, em frente ao antigo Cine Broadway, onde encontra-se hoje o Condomínio Edifício Alferes. A cada nova informação, uma sirene era tocada na sede do jornal, alertando a população sobre os ocorridos. A família Meira Barros morava a pouco menos de 200 metros do local e partia angustiada e na expectativa de notícias.
A sociedade cobrava muitos dos jovens. As mulheres diziam que homem que não ia à guerra teria de vestir saias. Muitos tinham seu orgulho ferido por este preconceito. Natal fugiu de casa e foi pego numa destas noites pelo pai Josué dormindo na Estação de Trem da Paulista - dia seguinte partiria para São Paulo onde receberia instruções militares para combater no front. Josué o resgata levando-o para o seio familiar. Dias depois, foge de novo. Pega o trem, alista-se em São Paulo (por isso os registros de alistamentos em Piracicaba não trazerm seu nome) e parte para a frente norte de batalha, na divisa com o Rio de Janeiro.

Natal serviu o  2° Batalhão de Funcionários Públicos que dominara a cidade de Pinheiros. Viveu entrincheirado por dias. Um superior ordenou a um grupo a busca de madeira para construir barracas. Era ele e mais três outros voluntários passaram por um bambuzal. De repente, tiro para tudo que era lado, vindo da Força Pública (Polícia Militar, na época) do Pernambuco que estava entocaiada na região. 

Natal foi concebido pelo amor de Josué e Bianca. Nasceu em 25 de dezembro de 1914, recebendo o nome de Natal por ter vindo ao mundo em uma data tão especial para a crença cristã. Um tiro irrompido no matagal de Pinheiros atingiu-lhe o pescoço, na manhã de 27 de agosto de 1932. Recolhido ao Hospital do Sangue de Cruzeiro, não resistiu à hemorragia falecendo no dia 30 de agosto daquele ano.

Os restos mortais do jovem Natal - o combatente mais jovem morto no front - chegou em caixão trazido na Estação de Trem da Paulista. Os irmãos, na casa dos 6 aos 12 anos, não sabiam ao certo o que havia ocorrido. A casa dos Meira Barros entristeceu por muito tempo. Tempo este que não apaga a dor sentida por Judith, sua irmã, ainda viva, na casa dos 94 anos de vida. Ela e sua irmã Julieta por décadas mantiveram o ideal de Natal, com visitas ao Mausoléu, participando das atividades do 9 de julho e jurando viver até o fim de seus dias propagando o ideal do jovem de 17 anos que abandonou carreira e família para ter seu nome na lembrança de 1932.

Ao ver, neste 9 de julho de 2012, senhores na casa de 96 e 98 anos, sendo três deles combatentes da Revolução de 1932 ainda vivos, fica aqui a lembrança de Natal Meira Barros, que jaz no Cemitério da Saudade e tem seu nome estampado em Travessa situada no bairro Higienópolis, em Piracicaba, em em rua no Jardim Aricanduva em São Paulo. (Edson Rontani Júnior)

Envelope da Carta que Natal M. Barros enviou seis dias antes de sua morte no front de combate endereçada ao seu pai Josué Meira Barros

Anverso da Carta de Natal M. Barros enviada pouco antes de ser ferido mortalmente no front de batalha à sua mãe enviada em 21/08/1932

Continuação da Carta de Natal M. Barros à sua mãe

Assisti em Piracicaba uma cena que me comoveu.
Numa de suas ruas vi um oficial que ia ao meu lado chamar, em dado momento um soldado de cor, muito modesto, que caminhava a sua frente. Como este não tivesse ouvido, o oficial adiantou-se e o abraçou fortemente. A cena era edificante. Perguntei a um outro oficial, com quem ia, quem era o combatente que merecera tão grande simpatia do oficial.
Esse pequeno soldado respondeu-me é um exemplo de bravura. A ele se deve, num dos combates travados neste setor a salvação de uma companhia.
Antonio de Souza Cunha

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

AS INTELECTUAIS E EX-COMBATENTES HEROÍNAS PIRACICABANAS MATHILDE BRASILIENSE E ANNA SILVEIRA PEDREIRA

Mathilde Brasiliense de Almeida Bessa



A Professora Mathilde Brasiliense de Almeida Bessa foi a primeira ocupante da cadeira número 3 desta Academia. Também piracicabana, foi aluna do Maestro Fabiano Rodrigues Lozano, que teve influência determinante na sua carreira profissional. Assim, ao participar da fundação da academia foi natural que escolhesse o querido mestre como patrono da cadeira que ocupou.

Sua atividade como professora voltou-se principalmente à pedagogia e à psicologia aplicadas ao ensino da música.
Sua vida, antes e depois de se aposentar, foi dedicada à música. Ou seja, uma existência inteira a serviço de uma arte que influenciaria muitas gerações de jovens estudantes.
Os estudos de Mathilde Brasiliense estiveram sempre no campo da educação. Em 1918 formou-se como professora pela Escola Normal de Piracicaba. Era uma turma numerosa, com setenta e nove alunas, que seriam responsáveis pela educação escolar de muitos brasileiros. A exemplo do nosso patrono, Mathilde Brasiliense também se dedicou a elaborar programas de ensino musical, conquistando reconhecimento justo por suas realizações. Graças a sua contribuição, o Conselho de Orientação Artística do Estado de São Paulo confeccionou o Programa de Pedagogia Musical, que foi adotado pelos estabelecimentos de ensino artístico e serviu de guia de aprendizado e inspiração a muitas gerações de jovens estudantes.
Após 34 anos dedicados à educação aposentou-se do magistério oficial em 15 de agosto de 1956.
Mathilde Brasiliense teve sólida formação cultural, licenciando-se pela Faculdade de Filosofia, Ciências e letras da Universidade de São Paulo. Entre as matérias que lecionou em diversas escolas públicas e particulares, na Capital e no Interior, destaca-se Metodologia da Educação. Todo o conhecimento que acumulou ao longo de sua carreira profissional pôde ser utilizado também como diretora de algumas escolas, onde pôde pôr em prática sua iniciativa e sua capacidade de realização.
Mulher corajosa, teve participação heróica, como enfermeira, nas cidades de Cruzeiro e Guaratinguetá, onde se localizava o setor norte da Revolução de 32. Com a família empenhada nas causas revolucionárias, seu esposo, Emilio de Almeida Bessa, caiu ferido por uma rajada de metralhadora, na Praça da República em 23 de maio de 1932.
Por todos os seus feitos, Mathilde Brasiliense foi condecorada com a medalha e o diploma da 'Constituição', outorgados pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
São esses alguns poucos detalhes da vida da Professora Mathilde Brasiliense de Almeida Bessa que demonstram como ela honrou e deixou marcas de exemplo e de realizações por onde passou. 



Anna Silveira Pedreira

Anna Silveira Pedreira nasceu no dia 13 de junho de 1903 em Piracicaba (SP).
Era filha de José Vicente Pedreira e Etelvina Silveira Pedreira, esta ativa participante combatente piracicabana na Revolução de 1932.


Foto da mãe de Anna Silveira

Teve sete irmãos, todos professores.
Estudou na Escola Normal de Piracicaba, onde, em 1922, recebeu o diploma de habilitação para o Magistério Público no Estado de São Paulo.
Foi diretora do Grupo Escolar em 1947.
Em 1932, com o cargo de adjunta do Grupo Escolar do Gnamium, prestou serviços à Revolução Constitucionalista, junto ao Batalhão Piracicabano, nas frentes Norte de Combate, de 14 de julho de 1932 a 28 de setembro de 1932.
Em agosto de 1957, foi designada para chefiar o Serviço de Assistência ao Escolar do Ensino Primário Municipal por Gofredo da Silva Telles Júnior, Secretário da Educação e Cultura da Prefeitura de São Paulo.
Foi professora primária do Grupo Escolar Prof. João Batista Nogueira, do bairro de Santa Terezinha (zona rural).
Escreveu artigos para o Jornal de Piracicaba, falando, principalmente, sobre paz e fraternidade, enaltecendo a importância da mulher na obra do saneamento moral.
Era espírita e seguidora de Alan Kardec.
Recebeu também o certificado de participação no Movimento Constitucionalista de 1932 e várias medalhas de honra ao mérito.
Faleceu no dia 5 de fevereiro de 1995, em São Paulo (SP).




segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A REVOLUCIONÁRIA E PRIMEIRA HISTORIADORA PIRACICABANA - "DONA MARIINHA"

MARIA CELESTINA TEIXEIRA MENDES TORRES

  Maria Celestina Teixeira Mendes Torres, nasceu em Piracicaba, em 18 de julho de 1910. Filha do engenheiro piracicabano Dr. Octávio Teixeira Mendes e dona Leonina Marques  Mendes. Seus irmãos:
Maria Elisa Teixeira Mendes (Sinhá), Octavio Augusto Teixeira Mendes, Luiz Octavio (Zi), Maria Angela (Dada), Maria Antonieta, Pedro (Pitó), Maria Leonina (Nina), Theodemiro (Bibo), Maria José (Cujá), José Mariano Teixeira Mendes (Marianinho), Mariana, Marieta e Antonio José Teixeira Mendes (Tonzé).
Formou-se Professora normalista pela Escola Normal de Piracicaba, exerceu o magistério em escolas rurais paulistas. Tornou-se professora primária comissionada junto à Faculdade de Filosofia, Ciências e letras da USP (Universidade de São Paulo), onde fez o curso de Geografia e História, entre 1935 e 1938, integrante da 2ª turma.
  

            Maria Celestina nos anos 20  Maria Angela e Maria Celestina – irmãs muito unidas

Tem curso de pós-graduação em História Moderna e Contemporânea. Sempre foi muito amorosa, generosa com os sobrinhos e parentes que gostava de acolher em sua casa, muito determinada nos estudos e particularmente exigente consigo mesma.

Família Teixeira Mendes em 1925.  Mariinha é a penúltima do lado direito. A última é a Maria Angela.

Maria Angela, Leonina e Maria Celestina

Em 1932 participou da Revolução Constitucionalista ao lado do pai e quatro irmãos, realizando trabalhos de enfermeira no front (Vale do Paraíba).

  
Transformou-se na primeira mulher historiadora de Piracicaba, foi Catedrática de História do Instituto Sud Mennucci, de Piracicaba, aposentando-se em 1964. Lecionou em diversos colégios de Piracicaba e Campinas, para onde se transferiu após a aposentadoria. Como historiadora, escreveu uma coleção sobre os bairros da cidade de São Paulo.
 Faz parte da Academia Piracicabana de Letras, da qual é membro efetiva, e tem como patrono seu pai, Octávio Teixeira Mendes. Também é membro da Academia Campinense de Letras. Os trabalhos de Maria Celestina, no setor público, vão muito além deste breve currículo. Sua trajetória de vida e trabalho se confundem com dedicação à família e aos amigos, sendo considerada uma celebridade “em matéria de encanto”, como descreveu seu marido.

Mariinha nos anos 30

Depois de licenciada continuou a prestar serviços junto à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em princípio como 3ª assistente de Psicologia Educacional, depois junto à cadeira de História Moderna e Contemporânea e ainda como 1ª assistente de História Econômica da Faculdade de Ciências Econômicas da USP. Algum tempo depois ingressou por concurso no ensino secundário, onde veio a se aposentar. Lecionou em várias escolas, em Piracicaba e Campinas. Foi sempre uma grande pesquisadora no campo da História.

Realizou vários trabalhos importantes, entre os quais:

Octávio Teixeira Mendes e sua Piracicaba
Editora Shekinah, relata a saga, da qual seu pai foi um dos líderes da Revolução de 1932 e descreve a “catraca”, inventada por seu pai, diante da limitação das armas paulistas, que passará a ser conhecida como “matraca”, havendo um modelo da invenção no Museu Histórico de Ribeirão Preto. Este livro não é apenas uma homenagem a sua memória, mas também, uma pequena contribuição ao estudo da cidade de Piracicaba.

Lançamento do Livro “Octávio Teixeira Mendes e sua Piracicaba” (1)
Lançamento do Livro “Octávio Teixeira Mendes e sua Piracicaba” (2)

Um Lavrador Paulista no Tempo do Império
O Jardim da Luz
em 1967 (IHGP);
História dos bairros de São Paulo
 – monografia vencedora do concurso de monografias do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura, 1985. 190.
O Bairro de Santana
diz que o povoado ficou de certa forma mais perto da cidade de São Paulo depois da construção da Ponte Grande sobre o Rio Tietê, em 1942, e foi considerado o primeiro trabalho de vulto da engenharia na capital paulista;
O Bairro do Brás
Vol. I edição de 1969;
Ibirapuera
 Vol. 11 edição de 1977;
Um Vereador Paulista no Século XVI
O Presidente Antonio Costa Pinto
Participação de São Paulo nos primeiros anos da Guerra do Paraguai
Aspectos da Evolução da Propriedade Rural em Piracicaba no Tempo do Império, esta última recebendo a Menção Honrosa do Pan Club. Por estes trabalhos recebeu o Prêmio do VII Concursos de Monografias sobre História dos Bairros de São Paulo, promovido pela Divisão de Arquivo Histórico da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Município de São Paulo. Edição de 1975 (IHGP);
Piracicaba no Século XIX
– obra publicada em 2003, a autora, “ao tentar capturar a dialética dos tempos piracicabanos oferece uma síntese interessantíssima da dimensão sócio-econômica da cidade no século XIX...”, revelando as mudanças gerais e particulares na cidade e sua participação e atuação na história brasileira – Piracicaba/SP: IHGP/Editora Degaspari, 2003.

Maria Celestina (Mariinha), Maria Elisa (Sinhá), por ocasião de aniversário de 80 anos de seu irmão Augusto, o último na foto.

Mariinha na Academia Campinense de Letras em 24/08/1979

Maria Celestina em 1994 (sentada)

Guilherme Andreolli Corrêa, Mariinha e Sérgio Gonçalves Torres seu mantenedor, dia do seu centenário 18/07/2010.

Maria Celestina em seu aniversário 101 anos 18/07/2011


Dona Mariinha em 22/01/2012 ao lado do seu sobrinho-neto e Vice-Presidente do Núcleo MMDC de São Vicente Guilherme A. Corrêa

Maria Celestina, com cento e um anos de idade, vive agora numa Casa de Repouso em Campinas. Sua trajetória brilhante continua a ser motivo de orgulho para sua família e para nós, piracicabanos.

No dia 23 de Maio de 2012 d. Mariinha recebeu o Diploma e a Medalha MMDC da Sociedade dos Veteranos de 32 - MMDC e esteve representada para recebimento pelo seu sobrinho-neto e tutor Sr. Sérgio Torres no Obelisco do Ibirapuera em São Paulo.

Em julho de 2012 d. Mariinha é novamente agraciada pela Sociedade dos Veteranos de 32 - MMDC agora com o Diploma e Medalha Constitucionalista e esteve representada pelo seu sobrinho-neto Guilherme Andreolli Corrêa em solenidade no Obelisco do Ibirapuera.

JP edição de 30/12/2012 - Tributo à D. MARIINHA

Trabalho elaborado com a colaboração de GUILHERME ANDREOLLI CORRÊA, bisneto da Sra. MARIA ANGELA TEIXEIRA MENDES e sobrinho-neto da biografada "DONA MARIINHA".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PIRACICABA, UMA DAS FORÇAS DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932


A presença piracicabana na Revolução de 1932 é histórica


 Foi o piracicabano  Francisco Morato  que, em 1931, lançou o manifesto "À Nação", rompendo com Getúlio Vargas, deflagrando o movimento constitucionalista comandado por São Paulo. No manifesto, aprendido pela polícia, o Dr. Morato expõe a situação de São Paulo, "rica e civilizada cidade da federação de ontem, hoje presa de guerra, amanhã toda desbaratada". Está preparado o terreno, a rebelião paulista se aproxima. Em 23 de maio de 1932, acontece a morte dos estudantes Miragaia, Márcio, Dráusio e Camargo (o MMDC). O tribuno Ibrahim Nobre pronuncia a sua poderosa oração que se tornará um clássico paulista: "Minha terra, minha pobre terra!" A revolução explode e, imediatamente, Piracicaba adere. Serão piracicabanos os mais aguerridos batalhões paulistas. 
          
Pegando em armas
 A pressão sobre Pedro de Toledo, que assumira o governo de São Paulo convocado por Getúlio Vargas, era grande. Exigia-se, dele, que governasse com mãos firmes, impedindo o descontentamento paulista. Getúlio ameaçava com intervenção. Em seu governo, Pedro de Toledo chamara, entre outros,  homens de estirpe como Godofredo da Silva Telles, Waldemar Ferreira e, para a pasta da Fazenda, o piracicabano Paulo de Moraes Barros, que acabariam exilados em Lisboa.  Com a morte dos estudantes, os paulistas exigiam uma reação. No dia 9 de julho, nos portões do Palácio dos Campos Elíseos, na Avenida Rio Branco, o povo se aglomerava. Pedro de Toledo, com lágrimas nos olhos, falou: "Eu fico com São Paulo". Está iniciada a revolução.
 Em Piracicaba, a reação é imediata. No Hotel Rex, em São Paulo, Fernando Febeliano da Costa e Otávio Teixeira Mendes tinham-se reunido para preparar Piracicaba para a revolta. O quartel de Pirassununga rebelou-se antes. No dia 10, Samuel de Castro Neves, Fernando Febeliano da Costa, Luiz Alves Filho organizam o Clube Político para abrigar os revolucionários. No dia 12 de julho de 1932, é instalado o Quartel General dos revolucionários no Grupo Escolar  Moraes Barros. Homens e mulheres começam a se alistar.
  A figura de Branca de Azevedo - professora enérgica - emerge com força. Dos altos do Teatro Santo Estevão, Branca de Azevedo convoca a juventude piracicabana para a luta pela constitucionalização do Brasil. Ela cria o comitê feminino MMDC do qual é presidente, e tem como companheiras as professoras Olívia Bianco e Eugênia da Silva, fazendo seu QG, com a Cruz Vermelha, no Teatro Santo Estevão. Doze mulheres piracicabanas partem para o front, fazendo parte do Corpo de Saúde sob a direção do Dr.Nelson Meirelles.
O corpo médico é formado por Nélson Meirelles, Caio Leitão, Luiz Gonzaga de  Campos Toledo (Dr.Lula), Zeferino Bacchi, José Rodrigues de Almeida, Darwin A. Viegas Dentosas, João Dias de Aguiar e José de Toledo Noronha. Farmacêuticos: Pedro Alcântara Chagas, Antonio Oswaldo Ferraz, Morel Rodrigues dos Santos.   

O Batalhão Piracicabano
 Somam centenas os voluntários piracicabanos. O primeiro batalhão, com cerca de 600 voluntários, parte no dia 16 de julho, saindo às 14h50   em trem especial da Estrada de Ferro Paulista, o povo delirando em alas postadas desde a Igreja Matriz até a estação, lançando flores sobre os voluntários. Em frente à Empresa Eléctrica - rua Boa Morte, ao lado da Matriz - o Cônego Rosa e o Padre Jerônymo Gallo procederam à benção da bandeira do batalhão. As
bandas "União Operária" e "Capitão Lorena" precedem os voluntários, tocando hinos patrióticos.
 O prefeito Luiz Dias Gonzaga quer que o grande tribuno Sebastião Nogueira de Lima faça o discurso de despedida, mas o entusiasmo do povo, os gritos e os cânticos, não permitem orações. Há confiança na vitória paulista. O prefeito Luiz Dias Gonzaga, tão logo o trem dos voluntários partiu, enviou telegrama a Pedro de Toledo, Francisco Morato, Paulo de Moraes Barros comunicando que Piracicaba começava a participar, efetivamente, da grande epopéia. O segundo batalhão, com mais 200 homens, sairia no dia 24 de julho.
 O destino, onde se aloja o batalhão,  é o quartel de Quitaúna, supervisionado pelo General Bertholdo Klinger. De lá, segue para Cruzeiro, sendo ovacionado em cada estação por onde passa o trem: Taubaté, Caçapava, Queluz.  Octávio Teixeira Mendes, diante da limitação das armas paulistas, inventa a "catraca", que passará a ser conhecida como "matraca", que imitava tiros de metralhadora. com grande poder de fogo.
 A historiadora Maria Celestina Teixeira Mendes relata toda essa saga, da qual seu pai foi um dos líderes, com detalhes, em seu livro "Otávio Teixeira Mendes e sua Piracicaba". Nele se descreve a "catraca" inventada, arma que passou a ser conhecida como "matraca", havendo um modelo da invenção no Museu Histórico de Ribeirão Preto.
 A derrota será inevitável, os paulistas serão vencidos, mas a Revolução de 1932 marcará o Brasil obrigando Getúlio Vargas a elaborar uma nova Constituição. O Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes guarda as lembranças e os nomes dos heróis desse movimento, centenas de voluntários piracicabanos que participaram da revolução paulista. O General Euclydes Figueiredo - um dos chefes do movimento - iria apontar um dos feitos dos piracicabanos, que foi a vitória, obtida no dia 15 de setembro, contra o 19º BC, em Morro Vermelho.

Piracicabanos exilados
 A derrota dos paulistas condenou ao exílio muitas das suas principais lideranças. Entre os piracicabanos, foram Paulo de Moraes Barros e Francisco Morato as grandes vítimas. O Dr.Paulo foi para Lisboa juntamente com o governador Pedro de Toledo e todos os membros de seu gabinete. Francisco Morato asilou-se primeiramente também em Lisboa, indo, depois, para Paris. O livro do falecido desembargador e ex-juiz na comarca de Piracicaba, Dr. Luiz Roberto de Almeida, "A época de Francisco Morato", faz a narrativa do drama pessoal e familiar de Francisco Morato com a derrota da revolução paulista. O Dr. Morato fora levado, pela polícia da ditadura, à prisão da rua Frei Caneca, no Rio, depois para a prisão do Meyer. Carta do Dr. Morato para seu genro, Dr. Celso Leme: ".instalando-nos em uma masmorra: um quadrilátero com 14 camas de detentos comuns, consistentes em colchão e travesseiros...

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