domingo, 4 de novembro de 2012

FINADOS: VISITA AO TÚMULO DO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

A diretoria do Núcleo MMDC de Piracicaba visitou neste dia de finados de 2012, sexta-feira, feriado nacional, o Cemitério da Saudade, onde encontra-se o Túmulo do Soldado Constitucionalista de 1932.

Impecável sua apresentação, sendo que o jazigo onde descansam os ex-combatentes está em perfeito estado de conservação, assim como de limpeza, que pelo que notou-se, deve ter sido realizada uma limpeza dias antes da data.

A diretoria tirou algumas fotos para que os demais leitores do blog pudessem ver as imagens, tornando mais curta as distâncias geográficas entre Piracicaba e as partes mais distantes.

Nota-se uma placa de metal de 2003 a qual o Núcleo deverá deverá solicitar reparo ou colocação de uma nova placa em aço escovado com gravação a laser (a atual é adesivada), possibilitando maior conservação da dedicação. A solicitação deverá ser feita em breve ao empresariado local.

Diretoria Núcleo MMDC Piracicaba












ENNES SILVEIRA MELLO
Histórico: “O primeiro piracicabano a morrer no campo de batalha foi Ennes Silveira Mello. Filho de José e Malvina Sampaio Silveira Mello, Ennes nascera em 27 de novembro de 1905. Era solteiro e agrimensor.

Ele pertencera ao primeiro batalhão de voluntários e tomava parte na Frente Norte dos combates, em proteção da Fazenda Moraes em Queluz. No dia 15 de agosto de 1932, estava, com outros soldados, construindo um abrigo contra aviões na trincheira onde se encontravam. Tudo estava calmo, não havia batalha. Ennes saiu da trincheira para buscar taquaras que camuflassem a defesa quando foi atingido por rajadas de metralhadora que, na véspera, tinha sido montada, pelo inimigo, numa moita. Levado para o Hospital de Cruzeiro, morreu no dia 17.

A morte de Ennes Silveira Mello acendeu ainda mais o fervor patriótico em Piracicaba. A mãe de Ennes, Malvina, em vez de lamentar a morte do filho, convocou a juventude para continuar a luta. Para o lugar de Ennes Silveira Mello, apareceram mais 50 voluntários.

ROMÁRIO DE MELLO NERY (Voluntário)

Irrompido o movimento revolucionário, Romário de Mello Nery, apresentou-se. Reservista, com conhecimentos militares, foi aproveitado para o serviço de organização dos batalhões que partiam, formado no Palácio das Indústrias.

Partiu, afinal, como o último deles - o "Marcondes Salgado", para as margens do Rio Grande, de onde foi toda a unidade chamada, logo depois, para atender ao setor de Campinas, na ocasião ameaçado.

Resistindo, com mais quatro companheiros, a um ataque das forças adversárias, nas proximidades de Mogi-Mirim, foram todos mortos a tiros de metralhadora, dia 11 de Setembro.

Seu corpo está sepultado no cemitério de Itapira.

Dados Biográficos: Romário era filho do sr. Júlio Nery Ferreira e de d. Manoela Mello Nery. Nascera em Piracicaba a 17 de Julho de 1909. Era funcionário da Secretaria da Agricultura, exercendo o cargo de fiscal de máquina de algodão, em Tietê, cargo esse conquistado por concurso.

NATAL MEIRA BARROS


Na manhã de 27 de agosto de 1932, Natal Meira Barros, voluntário do 2º Batalhão dos Funcionários Públicos, estava ocupando, com outros elementos do mesmo batalhão, uma trincheira na Frente Norte, setor de Pinheiros, quando recebeu ordem de buscar numa trincheira próxima um pau para barraca.

Cumprindo ordem, com mais três rapazes, tomou ele um caminho que passava atrás de um bambual, de maneira a ficar oculto às vistas do adversário. Não lhe valeu a prudência. Uma bala partida de uma posição ocupada pela polícia pernambucana, alcançou-o mesmo através do bambual, ferindo-o gravemente no pescoço.

Recolhido ao Hospital de Sangue de Cruzeiro, não resistiu à grave hemorragia produzida pelo ferimento.

Seu corpo está sepultado em sua terra natal.

Dados Biográficos: Nascido em Piracicaba a 25 de Dezembro de 1914, filho do Sr. Josué Meira Barros e de d. Bianca Buldrini de Barros, Natal era uma moço forte, esportista dedicado e exercia sua atividade no comércio.

Era solteiro e foi por algum tempo instrutor do Tiro de Guerra de Piracicaba, onde residia.

SYLVIO CERVELLINI (Voluntário)

Em Garça, onde residia, Sylvio Cervellini apresentou-se voluntariamente para combater pela Revolução constitucionalista.
Doze dias depois, estava ele incorporado ao 6º B.C.R. e ocupando posição no Setor Sul, Frente de Buri.
Foi ali que, a 16 de Agosto, Sylvio foi atingido por bala no ventre, sendo recolhido ao Hospital de Sangue de Buri, onde morreu dois dias depois.
Sepultado no cemitério local, foi seu corpo trasladado para Piracicaba.

Dados Biográficos - Piracicabano, nascido a 16 de Fevereiro de 1911, era filho do sr. Eugenio Cervellini e de d. Augusta Cervellini.
Solteiro, contador formado pela Escola de Comércio "Cristóvão Colombo", de sua terra natal, ultimamente dedicava-se ao comércio de café na cidade de Garça.

JOSÉ HOMERO ROXO


Combatente do Túnel como Sargento da 7ª Cia do III Batalhão do 5º R.I., contraiu nas trincheiras a moléstia que, tempos depois, em Piracicaba, o levaria ao túmulo.

Dados Biográficos - Era instrutor do Tiro de Guerra de Campinas, onde residia. Nascido em Anhembi, neste Estado, a 13 de Janeiro de 1913, filho do sr. Sylvino Roxo e de d. Anna Sampaio Luz, era noivo da senhorinha Josephina Jappur, residente em Catanduva. Dois irmãos tinha ele: Sylvio e José Olavo Roxo, este combatente do Batalhão Piracicabano.

FRANCISCO HONÓRIO DE SOUZA (Voluntário)

Foi sepultado em Silveiras o voluntário Francisco Honório de Souza, do 2º batalhão dos funcionários públicos, denominado "Cel Baptista da Luz", morto com uma bala na cabeça a 12 de Setembro.

Desde 19 de Agosto estava ele nas trincheiras.

No início do ano de 2003 a inumação dos despojos do pracinha Francisco Honório de Souza se encontra no Mausoléu Constitucionalista do Cemitério da Saudade em Piracicaba.

Dados Biográficos: Piracicabano, nascido a 29 de Maio de 1912, Francisco Honório era filho do sr. Antonio Honório de Souza e de d. Olívia de Souza Oliveira. Irmão de Lydia, Antonia, Olívia, Bárbara, Celina, Maria da Glória, Roberto e Lizino Honório de Souza, exercia ele o cargo de turbineiro no Engenho Central de sua terra.



Todo Estado de São Paulo se mobilizou em prol da Revolução Constitucionalista e a cidade de Piracicaba, berço da economia da cana-de-açúcar, não foi diferente. A história desta cidade se confunde com o desenvolvimento econômico da Capital.

Estão sepultados neste jazigo os soldados Natal Meira Barros, Sylvio Cervelini, José Homero Roxo, Ennes Silveira Mello, Romário Mello Nery e Francisco H. Souza. Neste cemitério também estão sepultados o presidente Prudente de Moraes e o pintor Almeida Júnior.

E simbologia constitucionalista é o que não falta neste túmulo, começando pela coluna partida que significa vida interrompida. Acima, vemos o capacete constitucionalista modelo francês apelidado de crista de galo. Este capacete está apoiado em um livro com a palavra LEX o que nos remete a luta dos combatentes piracicabanos pela constituição. Ao fundo, uma singela mão com uma espada em punho que significa símbolo da justiça e da decisão.


VERDADEIRO TESOURO HISTÓRICO PIRACICABANO !

EMOCIONANTE...SEM PALAVRAS










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