sexta-feira, 21 de setembro de 2012

OLIVIA BIANCO: EX-COMBATENTE DE 32 E A AUTÊNTICA EDUCADORA PIRACICABANA


Olivia era filha do italiano Francisco Bianco e de mãe mineira, Júlia Amélia de Moraes Bianco. Em Piracicaba, sua família possuía um negócio sito à Rua do Comércio, hoje Rua Governador Pedro de Toledo, esquina com a Rua São José, onde atualmente há um prédio, com seu nome. Com a morte prematura da mãe, ela, a irmã mais velha, Maria Inês Bianco e a caçula, Izaura, ficaram sob os cuidados de Benedita Soares de Mello, negra alforriada, conhecida por Dita, a qual era muito querida por todas.

Na época de seu nascimento, sete de maio de 1883, Piracicaba contava com vinte e dois mil habitantes, incluindo a população rural, que era expressiva e contava com escravos para cuidar das duas principais riquezas do local: o café e a cana. A monarquia, que era o regime do governo, estava com seus dias contados, para ceder lugar à República. Quando esta ocorreu em 1889, os moradores pertencentes às classes sociais médias foram tomando consciência da importância do estudo na vida dos filhos. Seus filhos passaram a frequentar a escola. Para tal, foram criados inicialmente em Piracicaba colégios confessionais, como foi o caso do Kindergarten do Colégio Piracicabano e o curso primário dirigido pela pioneira Miss Martha Watts. Olívia foi uma dessas alunas, cursando inclusive o Inglês. Também havia na cidade o Colégio Nossa Senhora da Assunção, dirigido por freiras, o qual atendia os filhos de alunos de classes mais conservadoras.
Ao lado dessas escolas confessionais, houve a introdução de escolas públicas, para atender as crianças das diferentes famílias que escolhiam a cidade para morar, em decorrência da expansão econômica paulista. Foi assim que foi criada a Escola Complementar, para formação de futuros professores, onde Olívia, após um curso brilhante, se formou em 1900, tornando-se professora antes de completar dezoito anos, fazendo parte da primeira turma de educadores de Piracicaba.
Como gostasse muito de estudar e ensinar, buscava aprimorar-se através de novos cursos, no Brasil e exterior. Foi para a Europa no ano de 1914, onde se aprofundou no estudo de línguas estrangeiras, como o inglês, alemão, francês, tornando-se poliglota e professora polivalente. Ao lado das línguas cursou enfermagem, diplomada pela Escola da Cruz Vermelha de Piracicaba, em 1921. Este curso lhe permitiu ser enfermeira junto à Santa Casa de Misericórdia local. Colaborou nesse particular com Branca de Azevedo, por ocasião da Revolução Constitucionalista.com Branca de Azevedo, por ocasião da Revolução Constitucionalista.


A figura de Branca de Azevedo - professora enérgica - emerge com força. Dos altos do Teatro Santo Estêvão, Branca de Azevedo convoca a juventude piracicabana para a luta pela constitucionalização do Brasil. Ela cria o Comitê feminino MMDC do qual é presidente, e tem como companheiras as professoras Olívia Bianco e Eugênia da Silva, fazendo seu QG, com a Cruz Vermelha, no Teatro Santo Estêvão. Doze mulheres piracicabanas partem para o front, fazendo parte do Corpo de Saúde sob a direção do Dr. Nelson Meirelles.

Olívia Bianco exerceu os cargos de professora primária, professora do curso complementar anexo à Escola Normal de Piracicaba; lecionou Francês, Inglês, Ginástica, assistente da 1ª Secção (Educação) do Curso de Formação Profissional da Escola Normal de Piracicaba, diretora do Curso Primário deste estabelecimento de ensino e professora na então Escola de Comércio Cristovão Colombo, já extinta. Foi colaboradora da “Revista de Educação”, publicada pela Escola Normal de Piracicaba, entre 1921 e 1923. Ela e outros educadores de renome pretendiam, através dela, formar um ideário pedagógico e educacional para os futuros professores.
Consciente do seu papel na comunidade, em pleno desenvolvimento, fundou uma escola noturna para mulheres operárias. Também ministrou aulas gratuitamente, preparando inúmeros jovens pobres para o ingresso no ensino público.
Neste ano de 2010, decorridos mais de cinquenta anos do seu falecimento, temos o depoimento de um grande educador piracicabano aposentado, Professor Cornélio T. L. Carvalho, que deu seu testemunho, o qual demonstra a preocupação e empenho da Professora Olívia Bianco, na formação de honestos cidadãos:
“De posse da informação, a decorrência dos fatos depende do indivíduo, de suas escolhas, de sua potencialidade e de sua coragem.
“Em 1943, devido aos contatos de minha mãe, então doméstica em casa da família Tricânico, fui apresentado às professoras Niobe Tricânico e Olívia Bianco.

“Por iniciativa dessas bondosas senhoras iniciei meus estudos no Colégio Piracicabano, onde, na qualidade de bolsista, frequentei o curso de preparação, o ginásio e o colegial entre 1943 e 1950. Sempre como bolsista.”

Ao lado do amor ao trabalho educacional, era grande apreciadora das artes, dedicando-se especialmente à música. Participou de muitos saraus artísticos, nas festas de caridade, representações teatrais, liderados por Lydia de Rezende, pertencente à família de grande proprietário rural e dignitário do Império, barão de Rezende.
Não aceitou o pedido de casamento do Dr. Paulo de Moraes Barros, ilustre representante republicano e irmão do Dr. Prudente de Moraes, mantendo-se muito ligada à família, constituída pelas irmãs e os sobrinhos Silvio, Mariquinha, Niobe, Regina e Marina. Esta última se destacou como grande escritora e poetisa.
Conclui-se que Olivia Bianco foi autêntica educadora e, como tal, desempenhou com galhardia o seu papel de promover crianças e adolescentes, sendo raros os alunos que estudaram até 1939 (data de sua aposentadoria), que não receberam seus sábios e eficientes ensinamentos.
Muito justo, portanto, a sociedade piracicabana prestar-lhe homenagem, dando-lhe o nome à Escola de Primeiro Grau, do Bairro Jaraguá.
Agradeço a valiosa colaboração da Professora Vera Alice Castro Schiavinato, da Escola Estadual Profª Olívia Bianco, e da Assistente de Direção, Profª Rosa M. Cadorim de Moraes, fornecendo dados biográficos e artigo do “Jornal de Piracicaba”, anos 1989-90, escrito pela Profª Marly Therezinha Germano Perecin, historiadora e acadêmica da APL.
Igualmente ao Professor-Orientador e Supervisor de Ensino Aposentado Cornélio T. C. Carvalho, pelo depoimento pessoal.

Postado por Ivana Maria França de Negri

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