terça-feira, 22 de maio de 2012


Combatentes do dia a dia

* Edson Rontani Júnior – vice-presidente do Núcleo da Sociedade de Veteranos de 1932 / MMDC

Vivemos inegáveis dias de combate. Combatemos a dengue, combatemos a insegurança, combatemos a intolerância no trânsito, combatemos o avanço das drogas, o “bullying” que toma dimensões inimagináveis nas escolas, e tantos outros desafios sociais.
Porém, como combatentes da atualidade, alguns já se esqueceram daquilo que foi utilizado como bandeira de luta por muitos que nos antecederam : o respeito, a dignidade e o idealismo. Infelizmente, as gerações atuais sequer sabem que, neste 23 de maio, tivemos o estopim da Revolução Constitucionalista de 1932. Isso, ainda longe de estar fadado ao esquecimento, entrou para os anais da glória dos paulistas, há exatos 80 anos.
Foi nesta data em que os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram mortos por tropas federais durante manifestação em São Paulo. De seus nomes surgiram as iniciais M. M. D. C. que, pelos meses seguintes, formaram uma sociedade secreta que pretendia destituir Getúlio Vargas do governo nacional.
A Revolução de 32 é mais lembrada pelo 9 de julho, dia em que iniciada. Seu desfecho ocorreu em 4 de outubro de 1932, num total de 87 dias de combate contra as forças federais, que resultaram em quase mil mortes.
Desde 1997, o 9 de julho passou a ser feriado estadual por determinação do governador Mário Covas. Foi quando completou a Revolução seus 65 anos. O 9 de julho passou a ser visto como mais um feriado. Um dia de inverno para “churrasquear”, ficar em casa vendo TV e se encontrar com amigos e familiares. Daí vem o combate de outros voluntários contemporâneos : deixar que a data seja apenas um dia em vermelho no calendário e passe a ter a força de seu ideal de origem.
Cabe lembrar que o movimento paulista foi um revide ao governo do presidente Vargas o qual assumia o papel do executivo, legislativo e judiciário. Não existia uma Constituição formal que deixasse claro qual o foco do presidente da República. Senadores, deputados e vereadores não tinham pensamento próprio. Respondiam ao que Vargas pensasse.
A capital paulista vivia momentos de tensão, com manifestações, greves e passeatas.  Na manhã de 23 de maio de 1932, uma reviravolta com partidários varguistas hostiliza os manifestantes. O Centro de São Paulo se transforma em verdadeiro caos. Na praça da República, precisamente na rua Barão de Itapetininga, insatisfeitos tentam invadir a sede do Partido Popular Paulista, um dos braços da Liga Revolucionária, que apoiava a figura de Vargas. Entocados, estes passam a disparar incessantemente, matando os quatro estudantes M. M. D. C. : Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antonio Camargo de Andrade. São vários os feridos, inclusive Orlando de Oliveira Alvarenga, que faleceria em agosto seguinte.
Depois, partiu-se para a triste e lamentável história que conhecemos, com os revolucionários sofrendo centenas de baixas e São Paulo sendo isolada do resto do Brasil.
Piracicaba teve sua participação nesta história. Os combatentes foram denominados de “voluntários de Piracicaba” partindo de onde hoje se encontra a praça José Bonifácio tomando rumo à Estação de Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a popular Estação da Paulista. Rumaram a São Paulo. Lá muitos foram para o Vale do Paraíba. Registros, remontam como sendo 14 os piracicabanos mortos em combate, que jazem no Mausoléu do Soldado Constitucionalista do Cemitério da Saudade.
Os combatentes não foram apenas estes. Foram também aqueles representantes de famílias despedaçadas pela intolerância, que perderam irmãos, filhos e maridos. Combatentes foram aqueles senhores e senhoras que se prostraram diante do Monumento ao Soldado Constitucionalista quando este foi removido da praça José Bonifácio e levado para a praça em frente ao Cemitério da Saudade, no início dos anos 1980.
Combatentes também são aqueles que ajudam a data a não cair no esquecimento, ensinando à atual geração o real sentido do amor à sua terra e ao ideal. Cabe lembrar que combatente não vence a guerra e sim enfrenta as batalhas que a vida lhe impõe.
Leia mais sobre os combatentes no blog do Núcleo MMDC de Piracicaba : http://voluntariosdepiracicaba.blogspot.com 

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