quinta-feira, 10 de novembro de 2011

HISTÓRIA: REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA É DE TODOS

 em 06/11/2011 03:00:00 (231 leituras)


Egydio João Tisiani, neto de ex-combatente em 1932, fala da criação do Núcleo de Correspondência Voluntários Paulistas de Piracicaba


Foto: Del Rodrigues - Soldado constitucionalista é lembrado em monumento na praça José Bonifácio
                   Erick Tedesco
                   tedesco@tribunatp.com.br


No longínquo ano de 1932, tropas paulistas, com a participação de soldados piracicabanos, marcharam e lutaram a favor da democracia brasileira. Era minoria em relação ao contingente do governo federal, comandado por um quase déspota Getúlio Vargas, que havia destituído todas as Câmaras de Vereadores do país e revogado a Constituição.

Foram os primeiros atos para se legitimar uma ditadura, mas não sem luta armada, oficializada após a morte de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo num ato público em São Paulo, no dia 23 de maio daquele ano. Enfim, em 9 de julho, a Revolução Constitucionalista estava deflagrada, com civis, principalmente civis mandados ao front de batalha.

Em questão de três meses, até a rendição dos paulistas em 3 de outubro, muitos morreram, foram gravemente feridos e um sentimento ambíguo de guerra vencida e guerra perdida. O amparo, então, dependia muito mais de mutirões de populares – ou familiares – do que ajuda governamental. O poder ficara nas mãos de Vargas, apesar das mudanças graças a Revolução.

Nos anos e décadas seguintes, a comoção pela disposição de ex-combatentes em defender São Paulo e o Brasil ganhou notoriedade. A Revolução, quase que exclusivamente paulista, passa a ser comemorada em todo o Estado como uma vitória. O sentimento de orgulho em lutar por uma causa democrática era latente – e é o combustível até mesmo para mitos, como a suposta tentativa de tornar São Paulo um Estado independente.

Apesar de teoria, a mítica do caráter separatista da Revolução serviu, sem dúvidas, para perpetuar aquele momento histórico na memória do povo paulista. É, hoje, conteúdo de material didático e assunto pertinente no âmbito acadêmico nas faculdades de ciências humanas. Também incentivou o “orgulho paulista”, nada prepotente, que fique bem claro, e sim enquanto bem estar social, do relacionamento saudável com o espaço do cotidiano.

Neto de um ex-combatente na Revolução, Egydio João Tisiani assumiu o cargo de presidente do recém criado Núcleo de Correspondência Voluntários Paulistas de Piracicaba, extensão da Sociedade Veteranos de 32/MMDC, da capital paulista, cujo objetivo é pesquisar fatos relativos à memória e os feitos de veteranos que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932. A contribuição independente do local, a questão é gerar informações e difundir conhecimento, intermediado pelo portal http://voluntariosdepiracicaba.blogspot.com/. Confira a entrevista com Tisiani sobre o Núcleo.


Qual o objetivo do Núcleo e qual a contribuição deste grupo para a História do Brasil?

O Núcleo de Correspondência “Voluntários Paulistas de Piracicaba” é uma extensão da Sociedade Veteranos de 32/MMDC, fundada em 7 de Julho de 1954, sem fins lucrativos, com propósitos cívicos e patrióticos junto à Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, sediada em São Paulo. Como o próprio nome diz, sendo, pois, de correspondência objetiva “pesquisar fatos relativos à memória e os feitos de veteranos que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932, sejam eles nascidos em Piracicaba ou que neste município vieram a residir, estando eles em vida ou já falecidos, de forma a gerar informações e difundir conhecimento” e desta forma estará contribuindo historicamente não só para o povo paulista, mas, também, para todos os brasileiros.

Quem pode se integrar ao Núcleo?

Toda pessoa interessada em integrar o Núcleo. Primeiramente, deve se tornar sócio, para isso deve preencher um Formulário específico com Proposta postando em carta simples dirigida à Sociedade Veteranos de 32 – MMDC na Rua Anita Garibaldi, 25 – Centro – SP – CEP 01018-020, junto com 2 fotos 3x4, mais uma cópia simples do R.G.. Devidamente associado, estes realizam e publicam pesquisas acerca de histórias de vida de veteranos de Piracicaba, tanto no principal veículo de divulgação da Sociedade, o jornal 32 em Movimento, quanto em jornais locais, revistas, hipertexto e/ou em livros.

Qual é o envolvimento do senhor com a Revolução de 32?

Além da minha gratidão e admiração pelos feitos heróicos dos nossos veteranos, tenho o prazer de ser neto de um dos heróis dessa Epopéia de 32, o capitão da Força Pública do Estado de São Paulo, João Rodrigues Gonçalves. Ele participou ativamente no front da batalha, foi na graduação de 3º Sargento e voltou promovido pelo seu desempenho e suas atitudes heróicas no posto de 2º Tenente.

Que tipo de material relacionado à revolução o grupo já possui?

O material que o Núcleo-Piracicaba possui relativo à Revolução de 32 é na sua maioria obtido em nível de pesquisa pela internet, visitação ao Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, Bibliotecas, publicações nos jornais piracicabanos, contato com outros Núcleos, no site e no jornal 32 em Movimento da Sociedade Veteranos de 32/MMDC. Pretendemos elaborar uma lista dos nossos pracinhas piracicabanos vivos para entrevistá-los e, se já falecido, suas viúvas e familiares para registrar seus depoimentos e difundi-los, bem como participarmos dos próximos eventos na cidade alusivos à esta comemoração cívica e homenagens aos nossos heróis constitucionalistas.

Existem muitas teorias e histórias sobre a Revolução de 32. Por favor, conte-nos o que é verdade e o que é apenas mito.

As principais teorias quanto ao que é verdade ou mito resumem-se a duas perguntas: Os acontecimentos de 1932 refletiram tão somente às uniões da burguesia paulista em confronto com o Governo Federal? Qual foi o papel da grande massa da população trabalhadora?

Para a história, ficam os registros das disputas pela memória daqueles acontecimentos e seu significado, em que só o número de mortos do lado constitucionalista chegou a 830 soldados. E a grande verdade que marca este episódio é o fato de não existir registros em nossa história de outro movimento revolucionário cuja comemoração do evento e o culto aos heróis sejam tradicionalmente realizados pelos vencidos, e não pelos vencedores da guerra.
Apesar da perda militar, vencemos na política com a convocação da tão almejada Assembléia Constituinte dois anos após a cessação do conflito.

A partir da criação do Núcleo, quais fatos ganharam nova luz e o que de novo surgiu a partir de pesquisas e correspondências

A partir destas pesquisas e correspondências surgiram mais adeptos que incentivados e interessados ficaram a participarem com comentários, postagens de matérias pertinentes e até proposições visando abertura de novos Núcleos semelhantes em outras.



Nenhum comentário: