sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Revolução de 32 segundo Quinzinho

                         Revolução de 32 segundo Quinzinho
em 09/07/2011
                
Ex-combatente da revolta armada doou objeto por ele utilizados no front à Câmara de Piracicaba

Foto: Del Rodrigues - O historiador Fábio Bragança visita o acervo de Quinzinho doado pela família

                                                           Erick Tedesco

Numa fotografia antiga, Joaquim Moreno posava fardado, com postura militar e devidamente equipado, como se pronto para a guerra. Da Estação da Paulista, o combatente e mais centenas de piracicabanos foram enviados ao Vale do Paraíba, em 1932, ao front de batalha da Revolução Constitucionalista que teve início em 9 de julho daquele ano. Era o Brasil, liderado por tropas paulistas, contra o exército de Getúlio Vargas, que havia destituído todas as Câmaras de Vereadores do país e revogado a Constituição.

De lá, Quinzinho, como Moreno era conhecido, voltou – e voltou com “souvenires” da revolta armada de que participou. Além das condecorações na farda como honra ao mérito, trouxe também artefatos indígenas, bandeiras que trocou com outros combatentes, a bandeira do Estado de São Paulo que utilizou no front e objetos por ele utilizados, como um cantil, o marmiteiro e dois capacetes.

Participar de confrontos armados pode ser traumático, mas vivenciar de perto a Revolução Constitucionalista não foi excluída das memórias de Moreno. Em sua residência, ele criou o “Cantinho do Quinzinho”, onde guardou toda a memorabilia bélica. Fez daquele canto o seu museu particular. Lá, resguardou a participação no movimento que brigou pela retomada dos direitos constitucionais no Brasil. De acordo com a família, ninguém podia entrar no mausoléu.

A história oficial conta a vitória de Getúlio Vargas, mas foi graças à ofensiva militar paulista que, anos depois, uma nova Constituição foi promulgada e os vereadores voltaram a atuar. Para combatentes como Quinzinho, a Revolução Constitucionalista significou reposicionar o Brasil no caminho da democracia, apesar do golpe de Estado pelo mesmo Vargas em 1937. As honrarias que ele recebeu, muito mais do que broches na farda, eram ostentados para legitimar um trunfo.

Quinzinho ainda recebeu diplomas, troféus e medalhas, muitos pela Câmara de Piracicaba. E para a Casa de Leis piracicabana o museu particular do ex-combatente foi transferido. Ele faleceu no ano passado e, segundo a família, assim como o último desejo em vida de um soldado, ordenou que, ao morrer, tudo deveria ser doado para onde agora está, aos cuidados de Fábio Bragança, o historiador responsável da Câmara. Na quinta-feira, ele organizou uma exposição da doação para oficializá-la, também como agradecimento pelo material histórico recebido.

Após a morte de Moreno, restaram apenas cinco pessoas de Piracicaba que participaram da Revolução Constitucionalista ainda vivas: Romeu Gomes de Oliveira, Iscar Antonio Bresson, Luiz Avelino, Armando Ferreira Alves e Antonietta Marozze Righetto. De acordo com Bragança, a cidade enviou tanto soldados como enfermeiras, costureiras e médicos. “Ainda não temos um número exato de quantos foram enviados, mas será assunto de pesquisa a ser realizada em breve, principalmente para também saber qual foi o impacto deste fato em Piracicaba”, conta o historiador.

Bragança ressalta que o material doado pela família Morena está em ótimo estado de conservação e nada precisa de restauro. A farda, um brim em sarja, resistiu ao tempo. Os capacetes, pesados e com forro, poderiam ser utilizados numa eventual nova batalha, assim como a carteira e a mala de viagem. As fotos e diplomas estão todas elas enquadradas, e a bandeira de São Paulo, meticulosamente costurava faixa por faixa, é uma relíquia.

Quinzinho também colecionou livros sobre o tema Revolta Constitucionalista. A bibliografia doada conta com 14 obras. “Algumas são raras e, dependendo da relevância do material, será higienizado”, afirma o historiador da Câmara. Bragança revela que a doação de Moreno, junto a outros itens relacionados à data, serão anualmente expostos no hall de entrada do prédio onde funcionava a Biblioteca Municipal, anexo ao da Câmara. Movimentos sociais acontecem, pessoas morrem, outras sobrevivem e a história registra tudo, transforma em memória e deixa para a posteridade os bons e maus feitos do homem.




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